
O Aeroporto Regional Sepé Tiaraju, em Santo Ângelo, concentra neste momento o maior volume de investimentos de sua história. Obras em andamento, uma concessão privada de 30 anos firmada em janeiro de 2026 e metas de internacionalização reposicionam o aeródromo como eixo central da infraestrutura de transporte aéreo da Região Missioneira.
A concessão firmada entre o Estado e a ECB Aeroportos S.A., tem vigência de 30 anos e valor estimado superior a R$ 740 milhões. Os investimentos previstos somam R$ 102,2 milhões, sendo R$ 66,24 milhões destinados ao terminal de Santo Ângelo.
Segundo Paulo Dallaporta, presidente do Aeroclube de Santo Ângelo e especialista em segurança operacional, a reestruturação do estacionamento e das vias de acesso, executada pela empresa Carpenedo, está 98% concluída.
O projeto ampliou a capacidade para 420 vagas, com pavimentação do estacionamento e estruturação de uma estrada vicinal utilizada como saída, que também receberá pavimentação. A exigência original da concessão previa 90 vagas para os 30 anos de contrato. A logística de saída foi reorganizada com uma nova rua asfaltada, eliminando o problema de atolamento em períodos de chuva. A obra responde ao fluxo de aproximadamente mil pessoas que circulam no terminal nos dias de operação da Gol, às terças, quintas e sábados.
O novo terminal de passageiros, com previsão de entrega para os próximos 80 a 90 dias, amplia a área total de 700 m² para 1.541 m². A capacidade de embarque passa de 50 a 100 pessoas para 500 passageiros. O projeto, doado por empresários e entidades locais, entre elas a URI e a ACISA, inclui banheiros na área de desembarque, sala VIP e divisórias modulares. Para Dallaporta, a entrega supera o que estava previsto para o prazo final da concessão: "Estamos entregando para a comunidade hoje um aeroporto de 2056", resumiu.
O Aeroporto de Santo Ângelo é o único do país homologado de forma provisória para operar aeronaves classe 3-Charlie, como o Boeing 737-800 e o Airbus A320, com restrições técnicas específicas. A meta da nova gestão, liderada pelo grupo ECB e pelo administrador Odone Bizz, é atingir a classificação 4-Charlie. Para isso, a ampliação do pátio de aeronaves é a próxima obra prioritária, condição necessária para que aviões de maior porte operem com segurança no terminal.
A internacionalização está na pauta imediata. ANAC, Polícia Federal, Receita Federal e Anvisa já sinalizaram receptividade ao processo. Dallaporta projeta uma rota estratégica: "Se nós tivermos um voo Buenos Aires, Santo Ângelo e Foz do Iguaçu tenho certeza que o voo fica lotado em um ano para frente", projetou.
Atualmente, a Azul opera a rota para Porto Alegre às segundas, quartas, sextas e domingos. A Gol conecta Santo Ângelo a Congonhas, em São Paulo, às terças, quintas e sábados. Há negociações em andamento para o retorno de voos para Florianópolis no verão e a possível entrada da Latam no mercado local.
Com a concessão, o aeroporto passa a receber investimentos que modernizam pátio de aeronaves, terminal e estrutura operacional, o que representa mais voos, mais conexões e mais oportunidades para o turismo, o agronegócio e a indústria da região missioneira. Dallaporta reforça a dependência da malha em relação ao uso local: "Vão ao aeroporto, comunidade de Santo Ângelo, vão visitar, comprem sua passagem, viajem."