
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) denunciou os dois técnicos de enfermagem presos por suspeita de abuso sexual de uma paciente de 39 anos. O caso aconteceu no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre. Os homens foram denunciados pelos crimes de estupro e estupro de vulnerável. O protocolo foi feito nesta quinta-feira (16) e está em sigilo de justiça. Eles estão presos desde o dia 13 de outubro.
A Polícia Civil havia indiciado os dois pelo crime de violação sexual mediante fraude. No entanto, o promotor responsável pelo caso, entendeu que o crime se classifica como estupro. Os nomes deles não foram divulgados, mas a reportagem de Zero Hora apurou que se tratam de Cleber Romero Serdan, 55 anos, e Matheus Mendonça de Carvalho, 31 anos.
O caso aconteceu em julho. De acordo com relatos de um familiar da vítima e de funcionários da instituição, Matheus teria entrado no quarto onde a mulher estava internada e simulado um exame de toque íntimo, além de apalpar a sua barriga e os seus seios. Conforme a investigação, ele não trabalhava no andar de internação da vítima. O profissional teria tido ajuda do outro técnico, Cleber, para acessar o quarto onde a mulher estava internada. Ele também teria emprestado um estetoscópio. Imagens de câmeras de segurança comprovaram o contato entre os homens antes e depois do ocorrido.
Após a situação, a paciente questionou a atuação de Matheus para Cleber. Segundo o relato da vítima à polícia, ele teria ignorado a situação.
A mulher decidiu então procurar o setor responsável pela enfermagem do hospital. O boletim de ocorrência foi aberto por um familiar da vítima e por representante da instituição de saúde.
Em depoimento à polícia, o técnico de enfermagem afirmou que está sendo confundido e negou a realização dos atos libidinosos. Já o outro profissional disse que emprestou o instrumento. Os dois foram desligados da instituição.
A advogada Bianca Prestes, que representa Cleber Romero Serdan, informou que teve acesso ao processo na quinta-feira (16) e que irá solicitar o habeas corpus. Segundo ela, o técnico de enfermagem não cometeu "nenhum crime ao emprestar o estetoscópio ao outro colega". A defesa também afirma que o homem não sabia do ocorrido.
Já o profissional Matheus Mendonça de Carvalho está sendo representado pela Defensória Pública do Rio Grande do Sul que só deve se manifestar nos autos do processo.
Na terça-feira (13), quando os técnicos foram presos, o Hospital Ernesto Dornelles se manifestou por meio de nota, afirmando ter prestado atendimento e acolhimento à vítima, além de ter desligado os funcionário e seguir colaborando com as investigações.
O Hospital Ernesto Dornelles informa que, tão logo teve conhecimento da denúncia, prestou atendimento imediato e acolhimento integral à paciente e sua família. Por iniciativa da Instituição, em conjunto com a família, promoveu-se o competente registro da ocorrência junto às autoridades competentes, visando a elucidação e investigação policial. Os empregados envolvidos foram sumariamente desligados do Hospital. Segue colaborando com as investigações, que devem ocorrer sob sigilo e com rigor ético, visando à segurança e a não exposição da paciente.
Com 63 anos de atuação a serviço da comunidade gaúcha, desde sua inauguração em 30 de junho de 1962, o Hospital Ernesto Dornelles tem como missão proporcionar assistência integral e qualificada à saúde, buscando ser referência médico-hospitalar com gestão autossustentável. Nossa essência é pautada pela ética, pela segurança do paciente, pela humanização do cuidado, pela responsabilidade social e pela melhoria contínua dos processos assistenciais.
Reafirmamos a proteção incondicional aos pacientes, a integridade de nossos processos assistenciais e a responsabilidade de apurar os fatos com transparência e respeito a todos os envolvidos.
Seguimos com tolerância zero a condutas incompatíveis com nossos valores, aperfeiçoando protocolos, fortalecendo rotinas de prevenção e capacitando continuamente as equipes. Permanecemos à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários e, dentro do que a lei permite, dos familiares diretamente envolvidos.
Fonte: GZH