
Ser mãe “é amor, é ensinar, é dedicação, é emoção”. Estas foram as definições mais presentes em dez respostas de leitores ao responderem a reportagem do jornal A Tribuna quando questionadas.
Mas o que é “ser mãe acolhedora”? Esta pergunta foi respondida por Sirlene Pundrich, 48 anos, de Santo Ângelo, que faz parte do programa Mãe Acolhedora há três anos e meio. “Ser mãe acolhedora em primeiro lugar é participar de desafios. A criança vem sem uma estrutura, então você precisa adaptá-la, ensinar, dar amor, ela te exige atenção que não ainda não teve, porque ela sabe que ali tem uma diferença de lar, você está ligada a eles emocionalmente. Você precisa acompanhar eles na escola, passar carinho e amor, mas consciente de que esse filho não é seu, de que ele vai voltar para a família de origem. Ser mãe é gratificante, temos acolhido várias crianças e a gente vê uma carência afetiva daqueles pequeninos, e é gratificante poder dar um abraço, um beijo, e ver a felicidade deles”.
Sirlene é casada com Dirceu Luttjohann Haacke e é mãe biológica de Ellen Isley Birmann, de 20 anos, e o Kaleu Pundrich Haacke, de oito anos. A família conheceu o Programa Família Acolhedora através de um amigo, que já era pai acolhedor há dois anos. “Eu comecei a conversar com meu marido sobre o projeto pois achei muito bom porque a nossa realidade é diferente. Essas crianças vêm de famílias carentes, com desestrutura familiar. A gente levou dois anos para tomar a decisão de participar”.
Sirlene revela que a decisão da família em acolher foi pela preocupação emocional das crianças. “Depois de um tempo a gente resolveu acolher porque se as crianças forem para um lar eles não terão aquele carinho afetivo individual que um casal pode dar. Já no lar, o afeto é coletivo. Então, analisando, a gente começou a acolher pela questão emocional e a carência afetiva”.
SERVIÇO
O Família Acolhedora é um serviço de proteção social especial de alta complexidade, é uma medida de proteção prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (Art. 101, VIII) e ocorre excepcionalmente em casos em que uma criança ou um adolescente se encontra em situação de violação de seus direitos.
São situações de violência abuso sexual, familiares envolvidos com uso de entorpecentes, além de casos de negligência e abandono. O Serviço de Acolhimento Familiar de Santo Ângelo é referência estadual, atualmente possui 35 crianças/adolescentes acolhidos em 18 famílias acolhedoras. Desde a implantação no ano de 2012 já passaram pelo SAF 177 crianças/adolescentes.
Os interessados, podem efetuar o cadastramento Na Secretaria Municipal de Assistência Social. Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone 55-3312-0131.
por Patrick Siede