
Nesta semana, agentes da Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Santo Ângelo (DPCA), com apoio de agentes da Delegacia de Polícia de São Miguel das Missões, coordenados pela delegada Luciana Cunha da Silva, efetuaram a prisão de um homem de 28 anos, em Santo Ângelo. O jovem é investigado pela prática de crimes de pornografia de crianças e adolescentes, estelionato, constrangimento ilegal e registro não autorizado de intimidade sexual.
Foram identificadas em torno de 75 vítimas, no período de apuração do fato, as quais são residentes em diversas partes do país. "Aproximadamente há um ano atrás, nós iniciamos uma investigação policial, a partir de uma denúncia feita por uma adolescente, de que ela foi contatada por um rapaz, via rede social, e esse rapaz propunha para ela, que ela mostrasse partes do corpo dela, que ele faria um depósito em dinheiro para ela. Ele continuou insistindo com essa conversa, e ela dizia que não sabia o que faria, não tinha decidido. A partir dessas conversas, ele passou a ameaçá-lá. Ou ela faria chamadas de vídeo com ele, para mostrar o corpo ou então, ele mostraria as conversas para conhecidos dela", relatou a delegada.
Assim, iniciaram as investigações partindo do perfil fake que o criminoso usava, chegando na identificação dele. O homem tinha o mesmo "modo operante" com outras vítimas de Santo Ângelo. "Temos três vítimas identificadas em Santo Ângelo, sendo uma adolescente e duas adultas. No decorrer das investigações, ao analisar e buscar uma série de informações e pistas no material eletrônico desse investigado, chegamos à constatação de que ele armazenava grande quantidade de conteúdo pornográfico de crianças. O conteúdo ele adquiria de uma rede de pedofilia. O que encontramos ao poder dele, com relação a pornografia infantil, ele tinha adquirido. É uma rede de pornografia. Ele também trabalhava nessa esfera. Então, ele armazenava materiais tanto de crianças quanto de mulheres adultas", detalha a delegada Luciana.
As autoridades atentam para o fato de que, muitas vezes, mulheres e familiares de adolescentes têm receio ou vergonha de formalizar denúncia sobre este tipo de crime. No entanto, a orientação é para que o registro seja feito. "Nos até chamamos atenção aqui, para que alguém mais se identifica com essa situação que procure a Polícia Civil e efetue o Boletim de Ocorrência, porque a gente tem identificado o autor", comenta. Ainda segundo o relato da delegada, o criminoso agia pelo Instagram e a partir dalí desenvolvia uma conversa para convence-lá a fazer uma videochamada com ele, para satisfazer sua libido em troca de dinheiro. "Algumas meninas chegaram a fazer videochamadas com ele, o qual se utilizava de um aplicativo para gravar esses videos [gravava a tela]. Posteriormente chantageava novamente essas mulheres, constrangendo as vítimas a entregar mais material".
A investigação apurou que o criminoso não chegava a pagar essas mulher, realizava apenas um depósito falso, através do pix agendado. No final o valor não era debitado da conta do criminoso. Ainda, a delegada Luciana Cunha informou que em cinco meses e 24 dias, a DPCA registrou 22 crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes. Entre os crimes, o estupro de vulnerável, a pornografia, importunação sexual dentre outros.
“A pedofilia não é crime, mas um transtorno psiquiátrico. Usa-se comumente nominar essas práticas como pedofilia, mas só poderíamos falar em pedofilia após uma avaliação médica comprovando que um indivíduo investigado por esses crimes tenha tal diagnóstico”. A delegada frisou que o número registrado até o momento de violência sexual, está dentro da média da DPCA, e que apenas 10% dos casos chegam ao conhecimento do Poder Público.
Patrick Siede | Redação do grupo Sepé