
Em 2022, a taxa de crianças entre zero e 12 anos vivendo na linha da pobreza ou extrema pobreza, chega a 31,59% em Santo Ângelo. O município conta com uma população infantil de 12.252. Este é o resultado de um levantamento realizado pelo Grupo Sepé de Comunicação junto à Secretaria de Assistência Social do município. Para o estudo, foram consideradas como pobreza a renda per capita de R$ 210,00 mensal por pessoa, e extrema pobreza quem recebe, na média, R$ 110,00 por mês. São números também usados pelo Governo Federal para analisar a linha de pobreza no Brasil. Atualmente, Santo Ângelo possui 20.927 pessoas assistidas mensalmente pela assistência social, entre cidadãos que recebem o Auxílio Brasil e o aporte nutricional do município (cestas básicas), cerca de 18,49% são crianças. Ou seja, em cada 10 crianças santo-angelenses, três estão na linha da pobreza.
Especialista
Em torno de 30% das crianças e da população em geral vivem abaixo da linha de pobreza no município. Um dos adventos que agravou a situação foi a pandemia global. A reportagem ouviu o cientista social e doutorando em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rafael da Silveira Velho. Segundo ele, os dados trazidos são preocupantes e há a necessidade de políticas públicas para que esses índices sejam atenuados. “Por mais que existam os programas federais, isso apenas não basta. Os entes federados precisam arcar com as suas responsabilidades. Apenas cestas básicas não resolvem as situações dessas famílias. O município precisa buscar criar políticas públicas de distribuição de renda baseado na renda mínima, em que cada família recebe um valor mensal para sair da situação de extrema pobreza”.
De acordo com o cientista social, uma alternativa é a complementação de renda conforme o número de crianças por família. Ainda destaca que a redistribuição, colabora com o desenvolvimento econômico do próprio município. “Se as famílias saem da situação abaixo da linha da pobreza, elas passam a aquecer o mercado local e a consumir mais. Mas é preciso garantir dignidade a essa parcela que representa um terço da população municipal. E a dignidade começa através da redistribuição de renda e da inserção dessas famílias no mercado de trabalho para que possam garantir as suas próprias subsistências”.
Nutricional
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação considera como pessoa pobre aquela que não tem dinheiro para garantir uma refeição que forneça 1750 calorias por dia. Segundo a nutricionista Marcia Andrea Flores Nascimento, uma alimentação saudável na infância e adolescência promove crescimento e desenvolvimento. Crianças vivendo em situação de pobreza encontram-se privadas de uma alimentação adequada e mínima, acarretando, assim, problemas de saúde. “A alimentação saudável na infância e na adolescência promove a saúde e previne problemas, tais como a anemia por deficiência de ferro, obesidade, e cárie dental. Além disso, pode prevenir problemas de saúde a longo prazo, como doenças cardíacas, câncer, diabetes, hipertensão, entre outras. Com o hábito de uma alimentação saudável e uma rotina de exercícios físicos, até mesmo o desempenho escolar é beneficiado, já que o consumo de alimentos nutritivos também aumenta a capacidade de concentração e raciocínio, melhora o humor e aumenta a disposição. As políticas públicas de oferta de alimentação saudável garantem um aporte adequado de calorias e valor nutricional”.
Fonte: Patrick Siede | Grupo Sepé