CIDADE
11/12/2022 às 13:30 por Patrick Siede


Trilhos do crime: população cria lixões clandestinos em Santo Ângelo

Trilhos do crime: população cria lixões clandestinos em Santo Ângelo
Fotos: Patrick Siede | Grupo Sepé

Com o fim das atividades ferroviárias na região, restaram os trilhos por onde passavam os trens e que trouxeram desenvolvimento a Santo Ângelo. Apesar de terem formado caminhos da história missioneira, hoje são utilizados como áreas clandestinas de descarte de lixo e revelam a falta de educação ambiental da comunidade. Em um trecho de 13 quilômetros da rua Samuel Morse, que interliga os bairros Aliança e Indubras, a reportagem identificou inúmeros pontos de lixões às margens dos trilhos de trem.

A via é predominantemente rural, com produtores de hortifrutigranjeiros, propriedades rurais aos fundos de empresas e do Instituto Federal Farroupilha. Os lixões são formados em meio a mata, onde são depositados móveis, pneus, eletrodomésticos, entulhos de construção civil e até peças de roupas. Os lixos provocam a contaminação dos solos, das matas, a morte de animais silvestres, tornam-se focos de incêndios e potenciais proliferadores do mosquito da dengue e criadouros de insetos peçonhentos. A rua liga também ao Cemitério Parque Padre Roque Gonzales, criando uma imagem negativa para quem passa pelo local.

Desde 2019, a reportagem do Grupo Sepé vem denunciando a falta de responsabilidade ambiental dos santo-angelenses. À margem do arroio Itaquarinchim, no coração da cidade, a população continua incansavelmente descartando, de forma irregular, entulhos e materiais domésticos. O Engenheiro Ambiental, Mauricio Setani, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural (Semma), ressalta que quando uma pessoa compra um produto, se torna responsável até por sua destinação correta, após o uso. “Os resíduos da construção civil são responsabilidade do gerador, sendo orientado a fazer a segregação na fonte. O que pode ser reciclado deve ir para a coleta seletiva normal. Os restos de tijolo, terra, telhas, entre outros, vão embora nos papa-entulhos que fazem a triagem e destinação. No município, são três empresas licenciadas que realizam este tipo de serviço. Os pneus devem ficar nas borracharias e comércios, os quais são retornados para o fabricante pelo sistema de logística reversa”.

Já os móveis que podem ser utilizados, a população pode doar para a Central do Bem, e aqueles que não puderem ser aproveitados devem ser encaminhados para uma área de “bota fora” do município na margem da rodoviária ERS-344, sentido Giruá, no km 89. Para realizar esse descarte, o cidadão precisa solicitar uma autorização da Semma. As roupas, quando não puderem serem doadas, devem ser descartadas junto ao lixo úmido. “É responsabilidade da pessoa pegar a autorização na Secretaria de Meio Ambiente e transportar o resíduo até a área de bota fora. Não basta a pessoa contratar somente um carroceiro sem se certificar que ele irá levar até o destino correto o resíduo. Pontos como estes surgem porque as pessoas contratam qualquer pessoa para jogar o lixo fora e não se certificam do destino correto”, explica Mauricio.

Impacto Ambiental 

Segundo o engenheiro ambiental, o descarte de lixos de forma incorreta gera impactos ambientais e sociais. “Pontos de descarte irregulares prejudicam a qualidade de vida dos moradores próximos a estes locais. Além do problema visual, estes resíduos podem se tornar moradia para vetores de doenças, através de ratos e mosquitos, ou podem ser levados pela água da chuva para córregos e rios”.

Penalidade 

Conforme o fi scal ambiental da Semma, Rafael Froncek, ao identifi car o autor do crime ambiental, ele poderá ser multado em até R$ 5.735,00, além de ter que reparar o dano, ou seja, recolher o resíduo e recuperar a área ambiental degradada. O descarte irregular de lixos é um problema crônico de falta de educação ambiental dos munícipes e, atualmente, isso acontece tanto na área urbana quanto na rural. “Na grande maioria das vezes ocorre nessas áreas urbanas-rurais porque são áreas pouco habitadas, onde não têm câmeras de monitoramento, são poucos moradores, que não têm o hábito de denunciar e conseguir provas, como fotos, fi lmagem ou anotação de placas”, apontou.

Fonte: Patrick Siede | Grupo Sepé 

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