
Entre os dias 25 e 29 de novembro de 2025, Santo Ângelo voltará a ser o epicentro da cultura missioneira com a realização do Festival Internacional de Teatro – Cidade dos Anjos (FIT), que neste ano celebra uma década de história. Em sua sexta edição, o evento consolidou-se como um dos principais festivais do gênero no Sul do Brasil, reunindo artistas de diferentes países e estados brasileiros, e democratizando o acesso ao teatro para públicos de todas as idades.
Idealizado por artistas locais e conduzido de forma voluntária pela Associação Cultural e Artística Cidade dos Anjos (Acacia), o festival é presidido pela bailarina e professora Laura Basso e pelo ator e guia de turismo Carlos Alves, ambos protagonistas de uma trajetória marcada pelo amor à arte e pelo compromisso com a inclusão cultural. “Quando a gente fala de teatro, fala de transformação. Uma criança que assiste a uma peça pode sonhar, pode se enxergar naquela história, pode mudar o rumo da sua vida. É isso que nos move há dez anos: levar essa experiência para quem muitas vezes não teria acesso”, destacou Laura durante entrevista ao Grupo Sepé.
Uma semana de espetáculos
Realizado no Clube Gaúcho, o FIT Cidade dos Anjos 2025 terá quatro apresentações diárias, com sessões pela manhã e tarde voltadas ao público infantil — em parceria com escolas municipais, estaduais e privadas — e sessões às 19h e 22h para o público adulto. Os ingressos serão vendidos pelo site Sympla e na bilheteria local. Sócios do Clube Gaúcho terão entrada gratuita. “A programação é pensada com muito cuidado. Temos curadoria e júri técnico para avaliar as peças, premiar os melhores trabalhos e garantir diversidade de temas, estilos e idiomas”, explicou o vice-presidente Carlos Alves.
Representatividade internacional
Neste ano, o festival recebeu quase 50 inscrições de grupos e companhias teatrais do Brasil e do exterior. Foram selecionados 12 espetáculos que representam a pluralidade da arte cênica. As inscrições incluem nomes de Portugal, México, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Argentina e de mais de 20 cidades brasileiras, como Porto Alegre, Curitiba, Pelotas, Sorocaba, Santa Maria, Brasília, Belo Horizonte, Paraty, Sumé entre outras. “As pessoas vêm para cá e querem voltar. Se encantam com a hospitalidade, com a estrutura, com o cuidado com cada artista. E isso torna Santo Ângelo uma referência no circuito cultural”, destacou Alves, que também atua como guia de turismo e ressalta o elo histórico entre teatro e identidade missioneira.
Premiação e crítica construtiva
Ao fim do festival, será realizada uma cerimônia de premiação, que consagra as melhores produções nas categorias de melhor ator, atriz, direção, cenário, trilha sonora e outros aspectos técnicos. Além disso, após cada peça, ocorre um debate crítico entre o júri, os artistas e o público, promovendo uma rica troca de experiências e saberes. “Esses momentos são fundamentais para o artista. É ali que ele entende como o seu trabalho está sendo recebido, onde pode evoluir. O teatro também forma senso crítico”, afirmou Laura.
Arte que forma, transforma e inclui
O FIT Cidade dos Anjos também cumpre um papel social relevante. Desde sua criação, promove ações de inclusão cultural, como parcerias com escolas públicas, distribuição de ingressos gratuitos e a valorização de talentos locais. Laura, que também é fundadora da escola de balé Espaço Le Petit, relata com orgulho sua trajetória como educadora e os impactos do festival na formação de novos públicos e artistas.
“O teatro mudou minha vida. Entrei por convite para dançar uma fada em uma peça e nunca mais saí. Hoje, além de professora de balé, estou presidente da Acacia, lutando por esse espaço que transforma realidades”, compartilhou. Além disso, projetos anteriores da associação já garantiram bolsas de estudos para alunas carentes e oficinas gratuitas de dança por meio da Lei Aldir Blanc.
Redação do Grupo Sepé