
Cerca de 11% da população do município de Santo Ângelo, vive em situação de pobreza e extrema pobreza, segundo dados da Secretaria Municipal de Assistência Social, Trabalho e Cidadania, através do Cadastro Único. Ao todo, são 2.640 famílias, que somam 8.391 pessoas, com renda mensal per capita inferior ou igual a R$ 178,00. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a população do município de Santo Ângelo, conforme o último senso é de 76.275 pessoas.
A faixa de renda que classifica as famílias como extremamente pobres é quando a renda per capita varia de R$ 0 até R$ 89. Já as famílias consideradas pobres são aquelas que sobrevivem com renda per capita que varia de R$ 89 até R$ 178. Conforme dados do Cadastro Único, do mês de dezembro de 2019, são 5.479 pessoas que vivem em extrema pobreza e 2.912 vivem na linha da pobreza.
Conforme o coordenador do Cadastro Único, Hilário Zancan diz que o município de Santo Ângelo recebe pouco mais de 300 mil mensais, através da Bolsa Família. “O município recebe através do Governo Federal cerca de R$ 395.134,00 mensal, que é destinada para as 2.640 famílias, cadastradas no programa”, relata. De acordo com Zancan, dentro do grupo das 1.780 famílias de vivem em extrema pobreza no município, a Secretaria de Assistência Social, disponibiliza para apenas 551 famílias, uma cesta básica complementar. Essas famílias passam, inicialmente, pelos serviços do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), tendo um aporte nutricional através da nutricionista do município, que realiza a composição dos produtos da Cesta Básica.
Família indígena está há três meses sem receber auxílio
Em Santo Ângelo são 25 famílias indígenas em Santo Ângelo que vivem na pobreza. Entre elas a família da indígena caingangue, Maria Dorise Moreira, de 39 anos, moradora do bairro João Goulart. Maria e sua família de nove pessoas saíram do município de Redentora em 2013, com destino a Santo Ângelo. Sua renda sempre foi a Bolsa Família, através do Governo Federal. Conforme Maria, até início de 2019, recebia o valor de R$ 840,00 pelas nove pessoas de sua família cadastradas. A partir do inicio de 2019, passou a receber apenas R$ 300,00 mensais. Diante disto, Maria e seu marido, começaram a coletar materiais recicláveis pela cidade. “Saímos às seis horas da manhã e só paramos para almoçar”, conta. A situação piorou. Desde novembro de 2019, Maria e sua família não recebem mais o Bolsa Família, nada lhe foram comunicado, ficando com apenas a renda da venda do material reciclável, que chega aos R$ 600 mensais.

Fonte: Patrick Siede/Grupo Sepé