
A visita do presidente Lula ao município de Rio Grande, no sul do Estado, nesta terça-feira (20), irá resultar na assinatura de um novo contrato entre o Estaleiro Rio Grande e a Transpetro para a construção de cinco navios gaseiros na região.
Há 20 anos, o Polo Naval de Rio Grande nasceu sob promessas robustas de desenvolvimento industrial e geração de empregos. Ao longo do tempo, tornou-se símbolo de um projeto nacional de desenvolvimento e, depois, cenário de um dos momentos mais dramáticos da economia local, marcado por demissões em massa, retração econômica e intensos debates sobre política industrial.
Hoje, entre planos de retomada, a trajetória do polo é atravessada por decisões políticas, ciclos econômicos e impactos sociais profundos que moldam a história da zona sul do Estado.
A história do Polo Naval de Rio Grande começou a tomar forma em 2005, quando a Petrobras confirmou a escolha do município para receber a construção da plataforma P-53. A decisão representou o primeiro grande investimento da estatal no complexo e inseriu a cidade na estratégia nacional de expansão da indústria naval voltada à exploração de petróleo em águas profundas.
As obras da P-53 tiveram início em 2006 e foram concluídas em 2008. À época, a plataforma era considerada uma das mais modernas da América Latina, tanto pelo porte quanto pelo nível tecnológico envolvido. Para viabilizar o projeto, foi criada a QUIP — consórcio formado por Queiroz Galvão, Ultratec e Iesa — responsável pela operação do polo e pela integração dos módulos.
Ainda em 2006, foi instalada a área do canteiro de obras, dando início a um intenso fluxo migratório de trabalhadores vindos de diversas regiões do Brasil.
Paralelamente, começaram as obras do Estaleiro Rio Grande (ERG), administrado pela WTorre, empreendimento que simbolizava um novo ciclo de investimentos industriais no extremo sul do Estado.
A chegada do casco da P-53 ao Porto de Rio Grande, em 20 de setembro de 2007, foi tratada como um marco simbólico da consolidação do polo naval, reforçando a percepção de que o município passava a integrar de forma definitiva a cadeia produtiva do petróleo e gás.
— Eu me lembro bem da chegada da P-53. Tivemos que destinar parte do cais do Porto Novo: eram mais de 300 metros ocupados pela plataforma. Foi preciso adaptar tudo junto com a Marinha. Assim, fizemos uma sinalização especial para manter as operações do porto, com carregamento e descarregamento de outros navio — comenta Bercílio Silva, ex-superintendente do Porto do Rio Grande, na época em que chegou a plataforma.
Com a conclusão da P-53, o polo entrou em uma nova fase. Em 2009, teve início a construção da plataforma P-55. No ano seguinte, em 2010, começaram as obras da P-63, consolidando um ritmo contínuo de contratos e ampliando a escala industrial do complexo.
— Houve uma grande movimentação de trabalhadores na área portuária, especialmente ali pelo Portão 2. O ritmo era muito intenso, pois a maioria veio de fora, já preparada e qualificada, com experiência em outras áreas. Isso gerou um forte impacto em Rio Grande, com aumento de aluguéis, movimento em restaurantes e uma dinâmica marcante que muitos ainda lembram — complementa Bercílio.
Fonte: GZH