REGIÃO
23/01/2026 às 21:00 por Redação


Inflação recua para famílias de baixa renda em 2025 com queda nos preços dos alimentos, aponta Ipea

Inflação recua para famílias de baixa renda em 2025 com queda nos preços dos alimentos, aponta Ipea

Os preços de alimentos básicos da cesta de consumo, como arroz e feijão, deram trégua ao longo de 2025 e contribuíram para aliviar a inflação sentida pelas famílias de renda mais baixa no Brasil. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que, por meio do Indicador de Inflação por Faixa de Renda, aponta uma desaceleração significativa dos índices para a maioria das classes sociais, apesar da pressão exercida por despesas como energia elétrica, gás de botijão e custos com saúde e cuidados pessoais.

De acordo com o levantamento, a inflação para o segmento de renda muito baixa caiu de 4,91% em 2024 para 3,81% em 2025. Já entre as famílias de renda mais alta, o movimento foi inverso: a inflação acelerou de 4,43% para 4,72% no mesmo período. O estudo utiliza como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, que também apresentou desaceleração, passando de 4,83% em 2024 para 4,26% em 2025.

Segundo a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Maria Andreia Parente Lameiras, o resultado consolidado de 2025 mostra que, com exceção da faixa de renda alta, todas as demais classes registraram queda da inflação em relação ao ano anterior. O indicador divide as famílias em seis faixas de renda, que vão desde rendimentos mensais inferiores a R$ 2.202,02 até valores acima de R$ 22.020,22.

Em 2025, quanto menor a renda familiar, mais branda foi a inflação acumulada, cenário oposto ao observado em 2024, quando os grupos mais vulneráveis sentiram com mais intensidade o aumento de preços. A principal razão para essa descompressão inflacionária, conforme o Ipea, foi a forte desaceleração dos preços dos alimentos consumidos no domicílio, cuja variação caiu de 8,2% em 2024 para apenas 1,4% em 2025. Também contribuíram, em menor escala, a queda nos preços de produtos eletroeletrônicos e a desaceleração da gasolina.

Por outro lado, os principais focos de pressão inflacionária em 2025 foram os grupos habitação e saúde e cuidados pessoais. Pesaram, especialmente, os reajustes da energia elétrica, do gás de botijão, dos medicamentos, serviços de saúde e planos de saúde. Entre as famílias de renda mais alta, despesas com transporte, educação e lazer também tiveram impacto relevante.

No recorte mensal, entre novembro e dezembro de 2025, a inflação voltou a acelerar em todas as faixas de renda, indicando que, apesar do alívio ao longo do ano, o custo de vida segue como um desafio para as famílias brasileiras.


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