SAÚDE
15/04/2026 às 11:02 por Ricardo Bolson


Saúde de Santo Ângelo registra 90 mil atendimentos, mas alerta para 26 mil faltas em consultas agendadas

Saúde de Santo Ângelo registra 90 mil atendimentos, mas alerta para 26 mil faltas em consultas agendadas

Em entrevista nesta quarta-feira, 15, à Rádio Sepé, o secretário municipal de Saúde de Santo Ângelo, Flávio Christensen, acompanhado do coordenador da pasta, Rodrigo Trevisan, apresentou um balanço dos primeiros 100 dias do ano na rede pública de saúde. Os números indicam alta demanda por atendimentos, mas também expõem um problema estrutural: o elevado índice de faltas em consultas agendadas.

Absenteísmo pressiona o sistema e amplia filas

De acordo com os dados apresentados, o sistema municipal de saúde realizou cerca de 90 mil atendimentos no período. Desse total, aproximadamente 17 mil ocorreram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e outros 62 mil nas unidades básicas de saúde.

O principal ponto de preocupação, no entanto, é a ausência dos pacientes. Das 43 mil consultas agendadas por meio de aplicativo ou telefone, cerca de 26 mil não foram efetivadas devido à ausência dos pacientes — índice superior a 50%.

O secretário destacou o impacto direto desse comportamento na gestão da rede. “A cada 10 consultas agendadas, 50% [não comparecem], isso é muito importante a gente deixar dito. Fica um horário vazio, a gente não tem esse domínio sobre essa agenda, se conseguem botar outro ou não”, afirmou. Segundo ele, a ausência sem aviso prévio compromete o aproveitamento das vagas e dificulta o acesso de outros pacientes que aguardam atendimento.

Atenção básica como porta de entrada

A Secretaria reforçou que a unidade básica de saúde deve ser a principal porta de entrada do sistema. A diretriz segue a lógica do SUS, que prevê a resolutividade de cerca de 80% dos casos na atenção primária, reduzindo a sobrecarga sobre serviços especializados e hospitalares.

Flávio também chamou atenção para a compreensão equivocada sobre o papel dos especialistas. “O posto de saúde é a referência da pessoa. O médico pediu uma avaliação com especialista para ter uma ajuda, uma orientação, mas quem vai continuar tratando vai ser esse médico [do posto]”, explicou.

A gestão municipal busca, com isso, reduzir a chamada “ambulancioterapia” — prática recorrente em municípios do interior, marcada pelo deslocamento frequente de pacientes para outras cidades em busca de atendimento especializado. Nos últimos meses, especialidades como urologia passaram a ser ofertadas localmente, e há articulação para estruturar ambulatórios de cardiologia e ginecologia no hospital do município.

Novo raio-X deve reduzir custos e ampliar capacidade

Na área de infraestrutura, foi anunciada a substituição do aparelho de raio-X da UPA, em operação há cerca de 15 anos. O equipamento apresentava limitações técnicas e vinha impactando a qualidade do atendimento.

A aquisição do novo aparelho foi viabilizada por emenda parlamentar da deputada federal Daiana Santos (PSOL) e está em fase de instalação. Até então, os exames eram terceirizados junto ao Hospital Regional das Missões, gerando custos adicionais ao município.

Com a nova estrutura, a expectativa é qualificar o atendimento de urgência e emergência e, em uma etapa posterior, absorver parte da demanda eletiva das unidades básicas.

Prevenção: dengue sob controle e vacinação em alerta

No campo da vigilância em saúde, o município registra cenário controlado em relação à dengue, com apenas três casos confirmados em 2026. O resultado é atribuído às ações de fiscalização e à colaboração da população na eliminação de criadouros do mosquito.

Sobre o acúmulo de pneus no ecoponto, o secretário minimizou riscos. “Os pneus que estão lá não têm mosquito, são feitas aplicações de venenos. Aquilo lá, de certa forma, age até como uma armadilha”, afirmou.

Já na campanha de vacinação contra a gripe (Influenza), Santo Ângelo aplicou mais de 3.600 doses e recebeu um novo lote com 7 mil vacinas enviadas pelo governo estadual. Uma ação especial está programada para o próximo domingo, 19, durante o Brique da Praça, voltada aos grupos prioritários, como idosos, gestantes e crianças.

Apesar disso, a Secretaria demonstrou preocupação com a baixa adesão à vacina contra a dengue. A pasta reforça que a imunização, aliada ao controle ambiental, segue sendo essencial para evitar o avanço da doença.

Redação Grupo Sepé


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