
Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 6,04 bilhões no primeiro trimestre deste ano, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (24).
Somente em março, as despesas lá fora totalizaram US$ 1,99 bilhão, valor que é recorde para o mês.
O aumento de gastos no exterior acontece em um momento de queda na cotação da moeda norte-americana, o que barateia as viagens para outros países.
Nesta quinta (23), o dólar fechou em alta de 0,58%, cotado a R$ 5. Mesmo assim, no ano, o recuo acumulado foi de 8,85%.
A queda do dólar acontece em meio à guerra no Oriente Médio. A percepção do mercado é de que o Brasil, por ser um exportador de petróleo, se encontra em situação melhor do que outras economias e que a venda do produto contribui para o ingresso de divisas no país (valorizando o real).
Ao mesmo tempo, a economia brasileira segue registrando crescimento, apesar da desaceleração. A atividade econômica é outro fator que costuma influenciar os gastos lá fora.
Ainda de acordo com o BC, o déficit das contas externas brasileiras recuou 10,76% no primeiro trimestre deste ano.
O termo déficit indica que as despesas foram maiores do que as receitas no período.
Segundo a instituição, a conta de transações correntes registrou saldo negativo de US$ 20,27 bilhões nos três primeiros meses deste ano, em comparação com um rombo de US$ 22,71 bilhões no mesmo período do ano passado.
O resultado em transações correntes, um dos principais indicadores sobre o setor externo do país, é formado por:
O Banco Central costuma explicar que o tamanho do rombo das contas externas está relacionado com o crescimento da economia.
Quando cresce, o país demanda mais produtos do exterior e realiza mais gastos com serviços também. Com a desaceleração da economia, o déficit tende a diminuir.
O BC também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira registraram pequeno recuo no primeiro trimestre de 2026.
Os estrangeiros trouxeram US$ 21,03 bilhões em investimentos entre janeiro e março de 2026, contra US$ 23,04 bilhões no mesmo período do ano passado.
Mesmo com a queda, foram suficientes para financiar o déficit em transações correntes registrado nos dois primeiros meses deste ano.
Fonte: Alexandro Martello, G1