GERAL
24/04/2026 às 19:00 por Ana Carolina Zago


Gaúcho roda 4 mil quilômetros de skate e chega ao "fim do mundo": "Prometi que ia realizar esse sonho"

Gaúcho roda 4 mil quilômetros de skate e chega ao
Arquivo Pessoal/ Reprodução/ GZH

Após sete meses e cerca de 4 mil quilômetros sobre um skate, o porto-alegrense Roger Matheus Freitas de Oliveira chegou ao "fim do mundo": a cidade de Ushuaia, no extremo sul da Argentina. 

A meta foi alcançada em 19 de abril. No total, o viajante de 28 anos — completados durante a aventura — percorreu pelo menos 6,5 mil quilômetros. 

O número leva em conta a distância sobre skate, a pé, de bicicleta, de balsa e de carona (neste caso, em longas estradas de areia ou de pedra). 

A jornada foi compartilhada no Instagram (@skate.nomade) e no YouTube (@skatenomade).

O sonho de viajar era compartilhado com a companheira, Ariane Andrada Mônaco. Mas a falta de dinheiro e a correria do trabalho fez os dois adiarem o desejo. No meio da caminhada, Ariane foi diagnosticada com câncer linfático não Hodgkin e morreu em 2023, aos 33 anos.

— Antes dela partir, eu prometi para ela que ia realizar esse sonho, que eu ia viajar o mundo pela gente — conta Roger, que enfrentou um período de desesperança após a perda.

Alcançar o primeiro destino e lembrar da história que motivou essa aventura traz uma sensação "que não tem como explicar", segundo Roger. Ele diz ter sido protegido e guiado por Ariane até ali.

— Depois que dei o start nisso, que saí daquela prisão que não estava me fazendo bem, acho que foi o momento em que eu mais me conectei com ela e entendi que estamos aqui, mas que isso é só matéria. O que realmente importa é a energia que carregamos. E enquanto eu for vivo, ela vai viver comigo, onde eu estiver — declara.

"Era a vida que eu queria"

Roger saiu de Porto Alegre em 27 de setembro de 2025. O skate escolhido foi presente do padrasto, quando ele tinha 16 anos. 

Mais do que um meio de transporte, o longboard serviu como amigo de Roger depois da partida de Ariane. Era com ele que conseguia espairecer nas voltas pela Orla do Guaíba.

Em março de 2025, o viajante decidiu conhecer Florianópolis nas férias. Ele foi de ônibus até a capital catarinense e, dentro da ilha, passou a circular pelas praias de skate:

— Foi uma felicidade que eu não tinha há muito tempo desde tudo que eu estava passando. Eu entendi que essa era a vida que eu queria, conhecer lugares e tantas pessoas maravilhosas.

Ao chegar em casa, começou a planejar a aventura rumo a Ushuaia. Um dos motivos para a escolha desse destino foi o trajeto com mais trechos asfaltados.

Confira o percurso

De Porto Alegre a Ushuaia

Roger fez maior parte do trajeto em cima de um skate, conhecendo cidades do Rio Grande do Sul, do Uruguai, da Argentina e do Chile

30 quilos nas mochilas

Na mão – ou sob os pés – Roger levava o skate. No peito, carregava uma mochila com itens que precisaria com mais frequência, como comidas rápidas, água, equipamentos para a câmera, gaita de boca e documentos.

Já na mochila maior, que carregava nas costas, ia de tudo um pouco: remédios e curativos, algumas peças de roupa, bolsa de dormir com cobertor, ferramentas de reparo e itens extra para o skate, barraca, além de uma panela dobrável e itens para filtrar água.

Roger costumava dormir na barraca, em hostel parceiro e em casas de pessoas que conheceu no caminho.

Os favoritos

O viajante também viveu momentos delicados. Foi expulso de lugares ao acampar, chegou a ficar sem água e comida por algum tempo, além de encarar períodos de chuva, frio e calor intenso. 

Por outro lado, chegou a lugares que nunca tinha conhecido.

— Tem lugares que são muito famosos, por exemplo, Bariloche. Para mim, foi uma cidade normal, muito comercial. Mas fiquei em povoados pequenos em que fui muito bem recebido, vivi situações incríveis, então isso que cria o ambiente — descreve. 

Villa Pehuenia, na Argentina, Puerto Varas, no Chile, Cuchilla Alta, no Uruguai, e o próprio Ushuaia entraram na lista dos favoritos.

Ao todo, Roger estima ter gastado em torno de R$ 20 mil, dinheiro que foi guardado ao longo dos anos de trabalho e que foi conseguindo com ajudas que chegaram pelas redes sociais ou por meio de rifas.

Agora, também planeja vender bala de goma e amendoim com um amigo que conheceu na viagem. O parceiro de estrada estava fazendo o percurso de bicicleta.

E agora?

Quando conversou com Zero Hora nesta semana, Roger seguia no Ushuaia e estava voluntariando em um hostel na cidade. A ideia, segundo ele, é também buscar um trabalho remunerado para juntar dinheiro.

O viajante ainda planeja ir ao norte do Chile, ao Peru, à Bolívia e à Amazônia brasileira. Ele diz não querer mais a vida "normal" de antes, mas também busca entender como irá levar adiante essa vida nômade.

— Meu objetivo mesmo é continuar viajando e conhecer, primeiro, toda a América do Sul, quem sabe um pouco da América Central. Depois, meu sonho é conhecer a Tailândia, era nosso sonho, o meu e da Ari, então vou me organizar e talvez eu vá para lá — planeja.

Fonte: GZH


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