POLÍTICA
29/04/2026 às 21:00 por Ana Carolina Zago


Relator do projeto 6x1 prevê votação do parecer em comissão até 26 de maio

Relator do projeto 6x1 prevê votação do parecer em comissão até 26 de maio
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O relator da proposta que visa acabar com a escala de trabalho 6x1, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), disse, nesta quarta-feira (29), que seu parecer deverá ser votado até o dia 26 de maio na comissão especial que analisa o tema.

Segundo Prates, o texto da PEC (proposta de emenda à Constituição) deve ser apresentado, na versão inicial, no dia 21 de maio. A votação, pela comissão especial da 6x1, deve ocorrer nos dias 25 ou 26 de maio, de acordo com o relator.

"Com o relatório sendo votado na comissão entre 25 e 26 de maio, a gente teria tempo de ir a plenário o quanto antes", disse o deputado Leo Prates.

As datas foram definidas em acordo com o presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), que pretende aprovar o fim da 6x1 no colegiado "o mais rapidamente possível."

Segundo Alencar, o grupo deve ter, pelo menos, duas reuniões por semana, para que se cumpra o mínimo de dez sessões de discussão exigidas para a tramitação de PECs.

Esse ritmo de encontros da comissão também tem como objetivo, segundo o presidente, cumprir o prazo previsto para votação do relatório até o final de maio.

"Vamos fazer um debate sério, aprofundado e responsável, ouvindo todos os setores envolvidos. Mas faremos isso rápido, votando até o final do mês. Aqui vamos acabar com a escala 6x1, que degrada tanto a vida dos trabalhadores", disse o deputado Alencar Santana.

"Caminho jurídico mais seguro"

O relator da PEC do fim da escala 6x1 também defendeu que o modelo de emenda constitucional é o melhor para tramitação da proposta. Segundo Leo Prates, a mudança de jornada por meio da Constituição garante "mais segurança para os próprios trabalhadores".

"Eu fui convencido juridicamente que a PEC é o caminho mais seguro pro trabalhador e também para o empregador, porque na PEC é necessário 308 votos para aprovação. Ou seja, nós precisamos de mais diálogo e esforço. Acho que para a democracia, que é algo que dá mais trabalho mesmo, isso é importante", disse Prates.

"A gente tem que trabalhar aqui nas discussões e, para os empregados, a regra vai estar na Constituição, ou seja, não vai ter risco para quem trabalha", completou o relator.

Comissão especial da 6x1

A Câmara dos Deputados instalou, nesta quarta-feira (29), a comissão especial que vai debater a PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre o fim da jornada de trabalho 6x1.

O colegiado confirmou o deputado Alencar Santana (PT-SP) como presidente e o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator da proposta. Os nomes foram escolhidos pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e anunciados na tarde da terça-feira (28).

A comissão é composta por 38 titulares e igual número de suplentes. O PL e a federação governista formada por PT, PC do B e PV ocupam a maior parte das representações. A sigla da direita tem sete cadeiras, enquanto o grupo de esquerda tem seis lugares.

O projeto que altera a Constituição para reduzir o número de horas da jornada de trabalho também precisa ser analisado pelo plenário da Câmara para ter efeitos práticos.

Em entrevista à CNN, Motta afirmou que o texto é um dos mais importantes a tramitar no Congresso em 2026.

"A pauta da 6x1 é uma das pautas mais importantes que o Congresso deve se dedicar ao longo do ano de 2026. A pauta da redução da jornada de trabalho, um tema que tem sido tratado no mundo todo, chega agora ao nosso país com a responsabilidade do Congresso conduzir essa votação com muito equilíbrio", disse.

Ao lado da isenção do IR (Imposto de Renda) até R$ 5 mil e da taxação dos super-ricos, o fim da escala 6x1 é uma bandeira de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados, mirando o potencial eleitoral no pleito marcado para outubro.

Fonte: CNN Brasil


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