
A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal teve forte articulação nos bastidores, com atuação direta do ministro Alexandre de Moraes junto a senadores para barrar a indicação feita por Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o jornal O Globo.
Além da oposição pública de Flávio Bolsonaro e da articulação liderada por Davi Alcolumbre, Moraes teria atuado nos bastidores por meio de interlocutores, buscando influenciar parlamentares com interesses diretos em processos no STF ou com conexões políticas próximas. A movimentação criou uma aliança incomum, aproximando o magistrado de setores bolsonaristas que, in outros momentos, criticam sua atuação na Corte.
Segundo apurações do O Globo, a resistência à indicação também está ligada a disputas internas no Judiciário. Moraes e Alcolumbre defendiam o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga, o que aumentou o desgaste após a escolha de Messias. Além disso, a indicação do chefe da AGU era apoiada por André Mendonça, o que poderia alterar o equilíbrio de forças dentro do Supremo.
Nos últimos meses, Mendonça atuou para reduzir resistências ao nome de Messias, dialogando com parlamentares conservadores e destacando afinidades religiosas. A estratégia, porém, ampliou tensões com Moraes, especialmente após decisões recentes em que Mendonça votou por seu afastamento em investigações ligadas à tentativa de golpe, posição também adotada por Flávio Dino.
No Senado, a indicação acabou rejeitada com apenas 34 votos favoráveis, representando uma derrota significativa para o governo federal.
Fonte: O Bairrista/o Globo