
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Santo Ângelo, o Sintriasa, e integrante da Intersindical, Alex Durães, participou do programa Estúdio Sepé e comentou o projeto de lei que propõe o fim da escala de trabalho 6x1. Durante a entrevista, ele também avaliou a atuação sindical na região e os desafios enfrentados pelas entidades representativas dos trabalhadores.
Durães rebateu críticas feitas por empresários contrários ao fim da escala, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. Segundo ele, há exemplos locais de empresas que já adotam modelos diferentes sem prejuízo à produtividade. O presidente citou o caso do frigorífico Alibem, em Santo Ângelo, que não realiza abate aos sábados.
Conforme Alex, no caso do frigorífico, os trabalhadores compensam o sábado durante a semana. “Aqui no frigorífico a gente paga o sábado. O trabalhador paga quatro horas durante a semana para recuperar o sábado. Após a aprovação dessa lei, mesmo trabalhando durante a semana, vai vir horas extras para o trabalhador”, afirmou.
O dirigente sindical também comentou reclamações relacionadas à alimentação servida aos trabalhadores. Segundo ele, após queixas sobre a qualidade da comida, houve troca do restaurante responsável. Alex ponderou que problemas podem surgir, mas destacou que as empresas do setor frigorífico têm buscado oferecer melhores condições nesse aspecto.
Durante a entrevista, Durães também falou sobre a relação entre trabalhadores e sindicatos. Para ele, a confiança nas entidades sindicais foi enfraquecida a partir de 2016, em meio a mudanças e discursos que, segundo o dirigente, distorceram o papel dos sindicatos.
Ao comparar o momento atual à figura mitológica de Cassandra, personagem que fazia alertas sem ser acreditada, Alex afirmou que os sindicatos enfrentaram descrédito, mas vêm recuperando espaço junto aos trabalhadores. Segundo o presidente do Sintriasa, a entidade segue atuando na defesa de direitos, no acompanhamento das condições de trabalho e na mediação de demandas entre empregados e empresas da região.
Redação do Grupo Sepé