POLÍTICA
03/05/2026 às 21:00 por Ana Carolina Zago


Romeu Zema quer vender estatais e diz que vai endurecer regras da Previdência no Brasil

Romeu Zema quer vender estatais e diz que vai endurecer regras da Previdência no Brasil
Foto: Claudio Gatti/VEJA

O pré-candidato a presidente da República Romeu Zema (Novo-MG) afirmou que, se eleito, irá privatizar todas as empresas estatais que ainda estão sob o controle do Estado. Segundo o ex-governador de Minas Gerais, a medida irá ajudar a reduzir a taxa de juros no Brasil “de maneira mais rápida”.

“Se eleito, vou privatizar tudo. Isso vai provocar uma queda de juros muito rápida porque virá junto de uma reforma administrativa, uma reforma previdenciária, revisão de benefícios sociais”, declarou, em entrevista.

Atualmente, a União mantém o controle de estatais em áreas como energia, bancos, logística, tecnologia e serviços, entre elas Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Correios, Serpro, Dataprev, Telebras, Casa da Moeda, Embrapa e empresas ligadas ao setor nuclear, como a ENBPar e a Eletronuclear. O ex-governador não detalhou a quais delas se refere.

No argumento de Zema, as privatizações podem contribuir para a queda dos juros porque melhorariam a percepção de risco fiscal. O efeito, porém, não é automático nem necessariamente rápido: desestatizações costumam levar tempo por dependerem de modelagem e, muitas vezes, de aprovação do Congresso e de disputas judiciais.

Apesar de ter afirmado que a privatização viria acompanhada de reformas, o político não detalhou quais regras seriam alteradas nem que carreiras seriam atingidas.

Reforma previdenciária

Na entrevista, Romeu Zema também reforçou que, se eleito, vai trabalhar por uma reforma da previdência no Brasil, de modo que o tempo de contribuição dos cidadãos aumente, enquanto não sejam feitos reajustes reais nos salários dos beneficiários.

Para o ex-chefe do Executivo mineiro, o formato atual do sistema ainda é “insustentável”.

“Vamos precisar aumentar o tempo de contribuição, isso é fundamental, mas não podemos dar ganhos reais de forma alguma. Ganhos reais para quem está aposentado é algo que o Brasil não comporta”, sustentou.

O aumento do tempo de contribuição é defendido por Zema como forma de reduzir a pressão sobre as contas públicas, uma vez que a medida faz com que os trabalhadores permaneçam mais tempo na ativa antes de se aposentar. Na prática, isso reduz o período em que o beneficiário recebe aposentadoria e amplia o tempo de arrecadação previdenciária.

Já a crítica aos reajustes reais (aumentos acima da inflação) está relacionada ao impacto permanente sobre os gastos públicos.

Como aposentadorias e benefícios previdenciários representam uma das maiores cifras da União, qualquer ganho real incorporado aos pagamentos eleva as despesas obrigatórias de maneira contínua, pressionando o orçamento federal e dificultando o cumprimento das metas fiscais.

Fonte: R7


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