GERAL
05/05/2026 às 16:46 por Matheus Teixeira


'Foi como meu pai pagou minha faculdade', diz filha de dono de chaveiro atingido por incêndio

'Foi como meu pai pagou minha faculdade', diz filha de dono de chaveiro atingido por incêndio
Fonte: Divulgação

O relato é do chaveiro Augusto Espíndola, 58 anos, proprietário de um dos empreendimentos destruídos pelo incêndio na manhã desta terça-feira (5) no bairro Petrópolis, em Porto Alegre. O Disk Chaveiro era o estabelecimento mais antigo em operação no prédio atingido pelas chamas, há cerca de 30 anos no local. 

— Perdi tudo, vamos ter que recuperar 35 anos de trabalho. Perdi duas motos, todos os materiais, tudo estava ali. Fica um sentimento de vazio, de perda, nossa vida estava ali dentro. 

O fogo também atingiu o delivery Mundo do Xis e a Padaria e Confeitaria Petrópolis, que dividem o prédio. Quem passa pela área ainda pode ver os destroços do incidente, com boa parte do telhado desabado e pedaços de maquinário e móveis carbonizados. 

As chamas começaram por volta das 5h na esquina das ruas Barão do Amazonas com a Felizardo. O trabalho do Corpo de Bombeiros Militar seguiu até as 11h. Segundo o capitão Machado, que liderou a equipe de combate ao incêndio, ainda não se sabe o que deu origem ao fogo nem onde começou. 

— Como teve uma destruição muito grande dentro dos estabelecimentos, não identificamos o ponto principal, queimou praticamente tudo. Não temos como apontar — afirma. 

Antes de serem retirados os materiais de dentro do prédio, o local ainda vai passar por inspeção do Instituto-Geral de Perícias e da Defesa Civil, para serem verificadas as condições da estrutura e serem feitos os encaminhamentos necessários. Por isso, o prédio seguirá interditado. 

Ninguém ficou ferido no incidente, mas o prejuízo material foi inestimável, segundo os proprietários das lojas e familiares presentes nos arredores do local, na zona leste da Capital. O Disk Chaveiro, por exemplo, é o principal sustento da família, segundo a filha de Augusto, Julia Espíndola, 29 anos: 

— Quando eu acordei com a notícia do incêndio pensei que só podia ser um pesadelo, não acreditei. Foi com o chaveiro que meu pai pagou minha faculdade, a gente sempre viveu do chaveiro. E simplesmente acontecer uma coisa assim é muito triste. 

Apesar de contar com seguro, o valor a ser recebido não será suficiente para cobrir todos os gastos com a reforma, conforme Augusto. O empresário já está busca outro ponto para dar continuidade aos negócios e não deixar de pagar os funcionários. 

— O seguro está longe de cobrir tudo. Mas vamos sobreviver. Estamos vendo uma loja aqui embaixo para seguir na região. Somos de confiança no bairro, todo mundo já nos conhece. Vamos nos restabelecer — relata. 

Padaria querida por todos 

Apesar de a Padaria e Confeitaria Petrópolis ter sido aberta em 2019, o prédio na esquina da Barão do Amazonas com a Felizardo já abrigou outras padarias antes. Assim, tornou-se um ponto de encontro tradicional do bairro, querido pelos moradores. 

— Eu tenho 92 anos, moro neste bairro há 80. Fiquei sabendo do incêndio por volta das 6h da manhã, começaram a me mandar mensagem. Fiquei triste pela padaria, era uma relíquia do bairro, tem os melhores doces — conta Antônio Carlos Cardoso, aposentado. 

Para a gerente comercial Maira Horst Prestes, 55 anos, foi um susto. Ela mora no prédio em frente à padaria e ficou com receio de que as chamas chegassem ao outro lado da rua. 

— É uma padaria que todo o bairro tem muito carinho, trabalhava do café da manhã até o jantar, a gente via muito movimento, almoço, sempre cheio. A gente vê que as pessoas do bairro gostavam muito do estabelecimento, uma padaria enorme, muito bacana, é uma pena. — conta a moradora. 

A padaria tinha sido reformada pouco antes de julho de 2019, quando abriu o novo estabelecimento, com cerca de 30 funcionários. Os proprietários lamentaram as perdas materiais, que foram praticamente totais. 

Foi preservada parte da estrutura, como o telhado de zinco e a tubulação de gás, que é subterrânea. Quanto ao mobiliário, ainda não se sabe ao certo o que será possível recuperar. Abalada, a família proprietária da padaria não quis se manifestar nesta reportagem.  

Fonte: Sofia Lungui/GZH


Compartilhe essa notícia: