
Costumávamos ver parquinhos infantis cheios de crianças. Se as ruas estivessem barulhentas, era porque havia crianças brincando de futebol, esconde-esconde ou andando de bicicleta. Mas, em 2026, onde estão essas crianças?
A resposta é simples, dentro de casa, em seus celulares. Agora, muitas se divertem jogando, assistindo vídeos, postando fotos e conversando online. Os gostos mudaram. A boneca ou o carrinho que antes eram tão desejados deram espaço aos jogos digitais, acessados com apenas um clique.
O portal Correio Braziliense mostrou uma pesquisa do Instituto Datafolha, realizada a pedido da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. Segundo o levantamento, 78% das crianças de até 3 anos e 94% das crianças entre 4 e 6 anos utilizam telas diariamente. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda, no máximo, uma hora por dia de exposição para crianças acima de 2 anos. Já para menores de 2 anos, a orientação é evitar qualquer contato com telas.
O uso excessivo desses aparelhos pode afetar diretamente a vida das crianças, contribuindo para o sedentarismo, ansiedade, dificuldades para dormir, problemas de socialização e queda no desempenho escolar. Além disso, especialistas alertam para o aumento de casos de Lesões por Esforço Repetitivo (LER), problema causado pela repetição de movimentos por longos períodos, como digitar ou utilizar aparelhos eletrônicos por muito tempo. Isso pode causar dores nas mãos, punhos, braços e até nos ombros. As informações foram divulgadas pela SBP.
A exposição às telas pode levar ao retardo da fala. Um estudo do Hospital para Crianças Doentes da Universidade de Toronto, no Canadá, mostrou que apenas 30 minutos diários com telas podem aumentar em 49% as chances de atraso da fala em bebês.
Além dos impactos na saúde, especialistas apontam que as brincadeiras ao ar livre ajudam no desenvolvimento da criatividade, da convivência social e da imaginação das crianças.
Nem sempre os pais ou responsáveis conseguem controlar o tempo que as crianças passam no celular e muitos não possuem rede de apoio, fazendo com que as telas se tornem uma alternativa para distrair os pequenos. Apesar disso, especialistas reforçam a importância de equilibrar o uso da tecnologia com outras atividades, como leitura, brincadeiras, esportes, desenhos, passeios ao ar livre e momentos em família.
Fonte: Ana Carolina Zago/Redação do Grupo Sepé