
A morte de Maria Eduarda da Silva Vieira, de 17 anos, gerou comoção na comunidade. Em entrevista ao programa Aldeia Global, da Rádio Sepé, o secretário Flávio Christensen detalhou os próximos passos da apuração e anunciou reforços para o período de inverno.
Ele confirmou a abertura de um procedimento interno de apuração para investigar as circunstâncias do atendimento prestado a Maria Eduarda, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A jovem faleceu nesta semana após um quadro que evoluiu para influenza e pneumonia.
Segundo relatos de familiares, a adolescente procurou a UPA com sintomas de palpitação e dificuldade para respirar. O secretário de Saúde explicou que a paciente passou por triagem e atendimento médico e realizou exames, entre eles um eletrocardiograma.
Sobre o diagnóstico que gerou polêmica, Christensen fez uma ressalva. "Não é que foi dado um diagnóstico de ansiedade. De repente a pessoa estava ali ansiosa pela falta de ar, pela situação dela." Após melhora temporária e liberação, Maria Eduarda retornou à unidade no dia seguinte com o quadro agravado e foi encaminhada ao Hospital Regional das Missões, onde veio a óbito.
A administração municipal garantiu que uma comissão de ética revisará o prontuário completo e ouvirá os profissionais envolvidos. Christensen deixou claro que a medida não é uma "caça às bruxas". "A gente não toma decisão, não toma juízo sobre os fatos enquanto não faz apuração."
O secretário defendeu a equipe técnica e lembrou que os médicos são profissionais reconhecidos pelo Ministério da Saúde, mas admitiu que falhas são possíveis em um sistema que realiza 350 mil atendimentos por ano. "Se tiver coisa errada, a gente vai tomar providência", afirmou, ressalvando os trâmites legais que impedem a divulgação de informações antes da conclusão do processo.
Diante de relatos de ouvintes sobre diagnósticos imprecisos e falta de sensibilidade no atendimento, a gestão da UPA afirmou que orienta seus profissionais a manterem a calma mesmo sob pressão. "A UPA foi feita para salvar, não foi feita para ter má intenção e não atender", disse Christensen, reforçando que a secretaria está aberta a críticas e sugestões por meio da ouvidoria municipal.
A investigação segue em caráter prioritário. A Secretaria de Saúde prometeu dar uma resposta clara à população assim que os trabalhos da comissão forem concluídos.
A ausência de um aparelho de raio X em operação na UPA no momento do atendimento também foi questionada durante a entrevista. De acordo com a secretaria, pacientes que precisam do exame são transportados de ambulância até o hospital. Um novo equipamento digital, adquirido por meio de emenda parlamentar, deve ser instalado em cerca de 15 dias, após adequações na sala radiológica.
Para enfrentar o aumento das doenças respiratórias no período mais frio do ano, a prefeitura anunciou um conjunto de medidas alinhadas ao Programa Inverno Gaúcho com Saúde 2025, iniciativa estadual que prevê ampliação de horários nas UBS e UPAs, contratação de profissionais de saúde e reforço nas campanhas de vacinação. Em Santo Ângelo, as ações incluem a disponibilidade de um quarto médico nos horários de pico na UPA a partir da próxima semana, além da contratação de mais técnicos de enfermagem e radiologia.
Christensen fez um apelo direto à população para que os grupos prioritários busquem a vacinação contra a influenza, citando índices considerados baixos entre os idosos. O alerta tem respaldo nos dados estaduais: o Rio Grande do Sul enfrentou em 2025 o maior número de hospitalizações e mortes por gripe desde a pandemia de H1N1, em 2009, com 82% dos hospitalizados e 78% dos que morreram pela doença sem ter recebido a vacina. Os idosos foram os mais afetados, respondendo por 58% das internações e 77% dos óbitos.
Redação Grupo Sepé