
A construção de um novo Centro Administrativo em Santo Ângelo tornou-se o centro de um intenso debate político na Câmara de Vereadores. Em entrevista à Rádio Sepé, o vereador Adolar Queiroz (PDT), líder da bancada pedetista e um dos parlamentares mais experientes do município, detalhou os motivos que o levaram a votar contra o projeto atual, apesar de reconhecer a necessidade de uma nova sede para o Executivo municipal.
O Projeto de Lei nº 23/2026, aprovado por maioria, autoriza a permuta de um imóvel do município para viabilizar a construção do novo centro. Queiroz foi um dos votos contrários.
Um dos principais pontos de discórdia levantados pelo parlamentar é o modelo arquitetônico proposto pela administração municipal. Para Queiroz, o projeto não reflete a história da região das Missões, que em 2026 celebra 400 anos. Santo Ângelo, considerada a Capital das Missões, concentra parcela significativa dos investimentos estaduais voltados às comemorações do quadricentenário.
O vereador foi enfático ao criticar a estética do projeto: "Esse modelo não serve para Santo Ângelo, está mais para uma rodoviária ou um prédio para qualquer outra finalidade administrativa, mas não para uma prefeitura municipal." Ele sugere que o município deveria realizar um concurso entre arquitetos locais para criar um marco que se tornasse também um ponto turístico da cidade.
A administração municipal sustenta que a nova sede gerará economia ao eliminar gastos com aluguéis. O projeto prevê um edital para a construção de uma estrutura com área de 4,3 mil metros quadrados, com estacionamento e possibilidade de expansão futura, com o objetivo de reunir a maioria das secretarias que hoje ocupam espaços locados.
Queiroz, no entanto, contesta a viabilidade técnica do empreendimento. Segundo o vereador, a área prevista é insuficiente para centralizar a estrutura administrativa do município. "Um prédio que eles vão construir ali com 2.000 m² não vai comportar 50% dos prédios locados hoje pela prefeitura municipal", afirmou, mencionando setores como o Espaço Cidadão e a Procuradoria do Município como exemplos de unidades que não caberiam na nova estrutura.
Como alternativa para uma economia imediata de aluguéis, o parlamentar sugeriu o aproveitamento de espaços que já pertencem ao município, como o antigo Shopping das Fábricas ou pavimentos desocupados no prédio do antigo Fórum.
Outro ponto crítico levantado pelo vereador é a permuta de uma área pública central de 14.276,84 m². Queiroz alega que o valor estipulado de aproximadamente R$ 9 milhões está abaixo do mercado, com especulações de que o imóvel poderia alcançar entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões em um leilão.
O parlamentar solicitou a formação de uma comissão de vereadores e uma nova avaliação técnica por imobiliárias independentes para garantir a transparência do processo. "Essa área é de Santo Ângelo, quer dizer, não é da administração municipal", pontuou, defendendo maior clareza antes de o projeto avançar.
A votação revelou uma divisão interna no PDT, a maior bancada da Câmara de Vereadores de Santo Ângelo. Dos cinco integrantes do partido, três votaram a favor do projeto e dois contra. Queiroz explicou que a bancada foi liberada para votar conforme a consciência de cada membro, dada a complexidade do tema.
O vereador também rebateu declarações do prefeito que, segundo ele, classificariam gestões anteriores como "atraso". Em resposta, Queiroz defendeu o legado de governos passados, citando conquistas como a remodelação da Praça do Centro Histórico, a UPA, a Perimetral e a destinação de terras para o Instituto Federal Farroupilha.
Por fim, o vereador fez um apelo por mais diálogo. "A prefeitura não é só um governo, a prefeitura vai ficar para diversas gerações", disse, manifestando a expectativa de que o Executivo repense o projeto e busque consenso com as entidades de classe e a comunidade antes de seguir adiante.