
Menos de um ano antes de sua morte, Pedro Ortaça viveu uma noite de reconhecimento em Santo Ângelo. Em agosto de 2025, o Poder Legislativo concedeu ao cantor, compositor e músico missioneiro o título de Cidadão Honorário do Município, em homenagem à sua trajetória dedicada à preservação e à divulgação da cultura regional.
Pedro Ortaça morreu nesta sexta-feira, 29, aos 83 anos, deixando um legado profundo para a música nativista, para a identidade missioneira e para a cultura gaúcha. A homenagem recebida em Santo Ângelo, meses antes de sua partida, tornou-se um dos últimos grandes reconhecimentos públicos em vida ao artista considerado o último Tronco Missioneiro.
A honraria havia sido proposta pelo ex-vereador André Marques e aprovada ainda em 2013. Para o autor da iniciativa, o título representava o reconhecimento público a um artista cuja obra ajudou a levar a história, os valores e a alma das Missões para o Rio Grande do Sul e para o país.
Natural do Pontão de Santa Maria, interior de São Luiz Gonzaga, Pedro Ortaça nasceu em 1942 e construiu uma carreira marcada pela defesa das raízes missioneiras. Ao longo da trajetória, reuniu mais de 120 músicas autorais, sete discos, 12 CDs e um DVD, considerado o primeiro em alta definição gravado no Rio Grande do Sul, com registros realizados em São Miguel das Missões, São Borja, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo.
Conhecido como o último Tronco Missioneiro, Ortaça acumulou importantes premiações e honrarias, entre elas o título de Mestre das Culturas Populares do Ministério da Cultura, a Medalha Farroupilha da Assembleia Legislativa, os troféus Ouro das Missões e Contra Todos os Ventos, além de títulos de cidadão honorário em outros municípios da região.
O ano de 2025 também marcou novos reconhecimentos acadêmicos. Em abril, Pedro Ortaça recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Santa Maria. Em outubro, a Universidade Federal do Pampa também prestou a mesma homenagem ao artista, em São Luiz Gonzaga.
Mesmo após enfrentar meses de recuperação por problemas de saúde, Ortaça ainda apresentou uma nova fase artística. Em 5 de agosto de 2025, lançou “Pena Guarany”, parceria com o filho Gabriel Ortaça e Vaine Darde. A canção marcou a primeira vez em que o artista incluiu violino em seu repertório. Naquela noite de agosto, Santo Ângelo não apenas entregou um título. Reconheceu, em vida, a grandeza de um artista que transformou a história, a fé e a alma missioneira em música.
Redação do Grupo Sepé