GERAL
29/05/2026 às 21:00 por Ana Carolina Zago


Conselho Federal de Medicina veta uso de PMMA após casos graves em procedimentos estéticos

Conselho Federal de Medicina veta uso de PMMA após casos graves em procedimentos estéticos
Foto: Pixabay

O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu nesta sexta-feira (29) o uso do PMMA (polimetilmetacrilato) como substância preenchedora em todo o Brasil, tanto para fins estéticos quanto reparadores. A medida entra em vigor na próxima terça-feira (2).

Segundo a nota do CFM, a única exceção é para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids e desde que realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 O polimetilmetacrilato (PMMA) é uma substância sintética composta por microesferas suspensas em gel e utilizada como preenchedor permanente. Na medicina, seu uso é autorizado em situações específicas, como a correção de deformidades e a reconstrução de tecidos. Nos últimos anos, porém, o produto também passou a ser aplicado em procedimentos estéticos para aumentar o volume de regiões do corpo, como glúteos e rosto, prática que é alvo de críticas de entidades médicas devido ao risco de complicações graves.

Nesta semana, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) também se manifestou a favor da proibição. Em nota, a entidade lamentou mais uma morte associada ao uso do polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos estéticos e reafirmou seu posicionamento contrário ao uso da substância para fins estéticos e cosmiátricos.

O estopim para a proibição foi mais uma morte em decorrência do uso do produto. Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, morreu na manhã desta segunda (26) após passar mal em uma clínica estética localizada em São Paulo.

Segundo o boletim de ocorrência, Roseli havia passado por um procedimento estético nos glúteos e na parte posterior das coxas com aplicação de PMMA.

De acordo com o depoimento da filha da vítima à Polícia Civil, Roseli começou a passar mal na manhã de terça, um dia após a aplicação da substância. Segundo o relato, ela reclamava de dores, mal-estar, coração acelerado e dificuldade para respirar.

A Anvisa só autoriza o uso do produto para médicos e dentistas, em duas situações:

No preenchimento do rosto e do corpo

Na correção de deformidades no rosto no pós-tratamento de pessoas que foram infectadas com o vírus HIV

Confira a nota, na íntegra, do Conselho Federal de Medicina:

CFM proíbe o uso médico da substância no País

A partir desta terça-feira (02), estará proibido o uso médico de PMMA (polimetilmetacrilato) em todo o Brasil como substância preenchedora, seja com finalidade estética ou reparadora. A única exceção é para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids e desde que realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde. É o que define a Resolução nº 2.461/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que será publicada no dia 02 de junho de 2026 no Diário Oficial da União (DOU). A coletiva de imprensa terá a presença do presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, e da relatora da resolução, a cirurgiã plástica e conselheira federal Graziela Bonin.

Não foi o primeiro caso de problemas com PMMA

Em fevereiro do ano passado, o Fantástico mostrou casos de pessoas que fizeram o uso do PMMA para fins estéticos.

A influenciadora digital Mariana Michelini passou por um procedimento de harmonização facial em dezembro de 2020, realizado por uma dentista em uma clínica de estética na cidade de Matão (SP).

Cerca de seis meses depois, ela começou a apresentar complicações associadas à substância utilizada no procedimento.

"Eu acordei totalmente com a boca inchada, com o queixo inchado, desesperada. Uma boca muito inchada, parecia que ia explodir a minha boca."

Mariana achou que a harmonização tinha sido feita com ácido hialurônico, que é muito usado nesse tipo de procedimento para dar mais volume a determinadas áreas do rosto e também suavizar linhas de expressão. Mas, como ela estava sentindo muita dor e inchaço aumentando cada vez mais, ela buscou ajuda médica.

O médico descobriu que o produto injetado foi o polimetilmetacrilato. "Eu entrei em desespero, eu achei que eu fosse morrer", disse a influencer.

Segundo José Hiran da Silva Gallo, presidente do CFM, a medicina já tem produtos muito mais seguros do que o PMMA.

"Ao longo do tempo, ficou demonstrado que os riscos suplantam e muito seus possíveis benefícios. As complicações do PMMA muitas vezes são tardias, relacionadas a características do produto, e ocorrem mesmo quando aplicados por médicos especialistas”, disse Gallo.

Fonte: G1 


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