
A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre parte das importações brasileiras pode atingir diretamente 74,9% das exportações do agronegócio gaúcho destinadas ao mercado norte-americano. O percentual representa US$ 575 milhões em vendas realizadas em 2025. Os dados constam em nota técnica divulgada pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, a Farsul, que analisou a proposta em discussão no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, no âmbito da chamada Seção 301 do Trade Act de 1974.
Segundo o levantamento, o impacto sobre o Rio Grande do Sul seria proporcionalmente mais severo do que sobre o agronegócio brasileiro como um todo. No país, 36,8% das exportações do setor aos Estados Unidos estariam sujeitas à medida. A maior exposição gaúcha se deve à composição da pauta exportadora do Estado. Enquanto produtos como carne bovina fresca, café em grão, suco de laranja concentrado e fertilizantes aparecem entre os itens excluídos da proposta, segmentos estratégicos para o Rio Grande do Sul permanecem sob risco.
O principal impacto está concentrado na cadeia do tabaco. O fumo não manufaturado do tipo Virgínia lidera a lista de produtos gaúchos potencialmente afetados, com US$ 122 milhões exportados aos Estados Unidos em 2025. Na sequência aparecem madeira serrada de pinus, calçados de couro, fumo Burley e sebo bovino.
De acordo com a Farsul, o setor de fumo e derivados representa cerca de 31% do valor das exportações do agronegócio gaúcho incluídas na proposta tarifária. O SindiTabaco manifestou preocupação com os efeitos sobre a competitividade do tabaco brasileiro no mercado norte-americano, considerado relevante para o setor. A entidade afirma que medidas tarifárias dessa natureza podem afetar contratos, planejamento industrial e a renda de milhares de produtores. Em 2025, as exportações brasileiras de tabaco aos Estados Unidos somaram US$ 195,3 milhões, queda de 23,4% em relação ao ano anterior.
A nota da Farsul também chama atenção para os produtos florestais, como madeira serrada, compensados e obras de carpintaria, que também não aparecem entre as exclusões previstas. No conjunto da economia gaúcha, 81,1% das exportações destinadas aos Estados Unidos poderiam ser atingidas pela sobretaxa. A Farsul estima impacto potencial de US$ 144 milhões sobre o agro gaúcho e de US$ 334 milhões sobre as exportações totais do Estado.
A federação ressalta, porém, que os valores não representam perdas automáticas. Os efeitos podem ocorrer por redução de margens, repasse de preços, queda nos volumes embarcados ou perda de competitividade frente a fornecedores de outros países.
Redação do Grupo Sepé com informações do Jornal do Comércio