
Em entrevista nesta terça-feira. 3, ao programa Aldeia Global, da Rádio Sepé, o vice-prefeito de Santo Ângelo, Carlos Gonçalves, apresentou um panorama amplo das ações da administração municipal, tocando em pontos que vão da crise na saúde pública aos projetos que a gestão aposta para transformar o perfil econômico da cidade.
Distrito Industrial, aeroporto concedido e relação com o Legislativo entraram na pauta de um diálogo que revelou tanto as apostas do governo quanto as tensões acumuladas.
A situação da saúde em Santo Ângelo dominou boa parte da conversa, especialmente após a comoção provocada pela morte de dois jovens atendidos na rede municipal. Gonçalves foi direto ao contextualizar a dimensão do sistema: no ano passado, 340 mil pessoas passaram pelo serviço de saúde do município, entre consultas e exames.
Só a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) registra cerca de 150 mil atendimentos por ano, o que coloca o equipamento entre os mais sobrecarregados da região Noroeste Gaúcha.
Diante das cobranças por responsabilização, o vice-prefeito pediu prudência: "Não vamos julgar ninguém, vamos buscar ver o que aconteceu e aí, se houve falha, tudo bem, a pessoa tem que ser responsabilizada, mas senão não, a gente tem que procurar melhorar e dar um atendimento cada vez melhor".
Ele também criticou o que chamou de uso político da tragédia, classificando como "lamentável" a busca por promoção pessoal em cima de momentos de dor coletiva.
No campo da infraestrutura produtiva, a administração anuncia o que descreve como uma virada. A prefeitura de Santo Ângelo articula um financiamento histórico de R$ 10 milhões junto ao Badesul, por meio do programa Avançar Mais Cidades, voltado a obras estruturantes nos municípios gaúchos.
O recurso será destinado à implantação de um novo Distrito Industrial, com os próximos passos incluindo a assinatura do convênio e um Projeto de Lei para abertura da rubrica orçamentária na Câmara de Vereadores.
Além do distrito, Gonçalves citou outras obras em andamento: o novo centro administrativo e a conclusão do Teatro Municipal Antônio Sepp, obra que se arrasta há seis anos e que a gestão trata como símbolo de compromisso com a cultura local.
Aeroporto Regional Sepé Tiaraju é a peça mais ambiciosa do tabuleiro. Em fevereiro de 2026, o governo do Rio Grande do Sul assinou o contrato de concessão com o ECB Group, holding liderada pelo empresário gaúcho Erasmo Battistella, que venceu o leilão realizado em setembro de 2025 na B3, em São Paulo.
O contrato prevê R$ 66,24 milhões em investimentos para Santo Ângelo ao longo de 30 anos, incluindo a ampliação da área do terminal de passageiros e a construção de um novo pátio de aeronaves. As operações serão conduzidas pela marca ON8, braço de concessões do ecossistema ECB.
"Estamos trabalhando para que o nosso aeroporto seja realmente uma porta de entrada de novos investimentos e que, num futuro próximo, possamos buscar a sua internacionalização", projetou o vice-prefeito.
A expectativa local é de que a modernização do terminal impulsione o agronegócio, o turismo e a saúde na região das Missões, setores que dependem de logística eficiente para crescer.
Questionado sobre a relação com os vereadores de oposição, Gonçalves não poupou críticas à postura de "oposição por oposição". Para ele, o crescimento da cidade exige que o embate político ceda espaço ao bem comum: "Tu podes não gostar do prefeito, mas se é um projeto que vem para agregar o município, você tem obrigação de votar favorável". O tom, direto, deixa implícita a tensão que já marcou votações recentes no Legislativo santo-angelense.
Pórtico e unidade comunitária
A entrevista também abriu espaço para esclarecimentos sobre obras menores, mas simbólicas. A recuperação do pórtico da cidade segue parada por pendências contratuais e legislativas, resultado de falhas na execução anterior. Gonçalves apelou para a parceria entre poder público, CDL e Acisa na construção de uma imagem mais positiva de Santo Ângelo. "Temos que trabalhar nesse sentido e fazer com que Santo Ângelo volte a ser vista como uma cidade de oportunidade de negócio", afirmou. Encerrou destacando o papel da imprensa como formadora de opinião, necessária para levar tanto os avanços quanto as carências do município ao conhecimento da população.