POLÍTICA
03/06/2026 às 22:00 por Ana Carolina Zago


Lula critica tarifas dos EUA e diz que Brasil não pode ser tratado como “republiqueta”

Lula critica tarifas dos EUA e diz que Brasil não pode ser tratado como “republiqueta”
Foto: Ricardo Stuckert /Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que foi pego de "surpresa" pelos anúncios do governo americano sobre as tarifas adicionais ao Brasil. Ele afirmou ainda não "aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana".

As afirmações foram dadas durante reunião ministerial nesta quarta-feira (3). Durante o encontro, frases como "pix é do Brasil" e "Brasil é soberano" foram exibidas em um telão.

— A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana. Não é possível — disse o petista.

Sem citar nomes, Lula criticou pessoas que estão "tentando trair o país" com "interesses mesquinhos, interesses rasteiros, de uma disputa eleitoral".

— Não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria. Alguém capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos deles — afirmou Lula.

Na terça-feira, o presidente criticou a família Bolsonaro. Ao comentar a proposta do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de aplicar uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros disse que "os filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele".

O governo Lula sustenta que as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos são resultado de articulações do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Em 26 de maio, ele se reuniu com o presidente americano Donald Trump.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou na terça-feira que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não taxasse os produtos brasileiros.

Na reunião ministerial, Lula destacou ainda que o Brasil nunca se negou a negociar com os Estados Unidos sobre tarifas comerciais. E contou que ficou sabendo da proposta de aplicação de novas taxas pelas redes sociais. Ele dise que pretende enviar nova carta a Donald Trump.

— É uma taxação substanciada com base em inverdades. Porque o déficit que os EUA dizem que têm com o Brasil, é o Brasil que tem contra eles. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, é o Brasil contra os EUA, não os EUA contra o Brasil — declarou o petista.

Tarifaço

O governo americano propôs a criação de tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias de 60 nações, entre elas, o Brasil. Os Estados Unidos afirmam que concluíram investigação que aponta falhas dos países no combate à entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. 

O país foi enquadrado na faixa mais alta da medida, com uma sobretaxa de 12,5%, sob a alegação de que não teria mecanismos suficientemente eficazes para impedir a entrada e a comercialização de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A iniciativa foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e ainda passará por consulta pública antes de uma eventual implementação.

A medida faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para contestar práticas comerciais consideradas injustas. 

A proposta surge um dia após outra recomendação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, fundamentada no mesmo instrumento legal.

Fonte: GZH


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