
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão — o início da pena será cumprido em regime semiaberto. A decisão é da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou o ex-parlamentar por coação no curso da ação que condenou Jair Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado.
Eduardo Bolsonaro também terá que pagar 50 dias-multa — um dia equivale a dois salários mínimos.
O colegiado determinou, ainda, a inelegibilidade imediata do deputado cassado por oito anos a partir da data de condenação e declarou a perda do cargo público como escrivão da Polícia Federal.
A decisão do colegiado pela condenação foi unânime. Votaram a favor os ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
— Não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no Exterior contra o próprio país. Isso não consta, desde a Constituição do Império até a atual, como função de deputado federal — declarou Moraes, relator do processo, durante julgamento.
Antes, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia pedido a condenação de Eduardo Bolsonaro. Já a defesa do ex-deputado, representada pela Defensoria Pública da União (DPU), pediu a nulidade do processo.
A PGR abriu inquérito em maio de 2025, afirmando que Eduardo Bolsonaro deveria ser investigado por tentar obstruir a ação penal do golpe, na qual o ex-presidente Jair Bolsonaro acabou condenado e cumpre pena em prisão domiciliar.
O caso progrediu para denúncia e, em novembro do ano passado, a Primeira Turma do STF aceitou a acusação de forma unânime, tornando o então parlamentar réu.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que, em uma análise preliminar, a conduta de Eduardo Bolsonaro pode ser enquadrada em três crimes:
coação no curso do processo,
embaraço à investigação de infração penal que envolva organização criminosa
abolição violenta do Estado democrático de direito
O documento menciona a atuação de Eduardo Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos para impor sanções a ministros do STF, delegados da Polícia Federal (PF) e procuradores que atuam em processos e inquéritos contra o ex-presidente e seus aliados, como a cassação de vistos de entrada nos Estados Unidos e o bloqueio de bens e contas em território norte-americano.
Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos em março de 2025. Em dezembro do ano passado, perdeu o mandato como deputado federal por excesso de faltas na Câmara.
Eduardo Bolsonaro não designou nenhum advogado para representá-lo no processo. Desta forma, a defesa dele está a cargo da Defensoria Pública da União, que pediu a nulidade do processo.
Em abril, o ex-deputado faltou ao interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF), que seria ser realizado por videoconferência.
Fonte: GZH