POLÍCIA
01/07/2026 às 11:02 por João Gomes


Negros são maioria entre mortos em ações policiais no Brasil, aponta relatório

Negros são maioria entre mortos em ações policiais no Brasil, aponta relatório
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Levantamento da Rede de Observatórios mostra alta de 6,4% nos óbitos em 2025; jovens de até 29 anos representam quase dois terços das vítimas.

Oito em cada dez pessoas mortas em ações policiais no Brasil são negras, aponta a 7ª edição do relatório Pele Alvo – entre Racismo e Letalidade, o Amanhã, divulgado nesta quarta-feira, 1º, pela Rede de Observatórios, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).

Conforme o levantamento, nove estados brasileiros registraram, juntos, 4.330 mortes em decorrência de ações policiais em 2025, alta de 6,4% em relação ao ano anterior. Do total, 86,3% das vítimas eram negras, considerando pessoas pretas e pardas.

O estudo reúne dados das secretarias de Segurança do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Além do recorte racial, o relatório chama atenção para a idade das vítimas: 64,8% tinham até 29 anos. Entre elas, 310 eram crianças ou adolescentes.

Segundo os pesquisadores, pessoas negras têm, em média, quatro vezes mais chances de morrer em ações policiais do que pessoas brancas. Em Pernambuco, a probabilidade chega a ser 11 vezes maior. No Rio de Janeiro, o risco é seis vezes superior.

O relatório também aponta que, mesmo diante de mudanças nas dinâmicas da violência no país, o perfil das vítimas permanece o mesmo: homens, jovens e negros. Para os autores, o racismo segue como elemento central para compreender a letalidade provocada por agentes de segurança pública.

Entre os estados analisados, Ceará, Maranhão, Pará e São Paulo registraram os maiores números de mortes desde 2019. O Maranhão teve a maior alta proporcional em 2025, com crescimento de 86,8% em relação a 2024. Já Pernambuco registrou aumento de 30,8%, enquanto São Paulo e Pará tiveram altas de 2,3% e 12,3%, respectivamente.

Na Bahia, apesar da queda em relação ao pico registrado em 2023, o relatório destaca que apenas 19 dias de 2025 não tiveram mortes em decorrência de ações policiais. No Rio de Janeiro, o índice subiu 13,8%, com destaque para operações em comunidades e para o debate sobre o uso de termos que, segundo os pesquisadores, contribuem para normalizar a violência extrema.

O estudo também aponta falhas no registro de raça e cor das vítimas em alguns estados, o que, segundo os autores, dificulta a compreensão completa do problema. Maranhão e Ceará apresentaram melhora na coleta desses dados, mas ainda mantêm índices elevados de registros sem informação étnico-racial.

As secretarias de Segurança dos estados citados foram procuradas pela Agência Brasil. Pernambuco informou que suas ações seguem critérios técnicos, legais e operacionais, negando que características pessoais, como cor da pele, sejam usadas para autorizar intervenções policiais. O governo do Rio de Janeiro afirmou que as mortes por intervenção de agentes do Estado tiveram queda de janeiro a maio de 2026. Os demais estados não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.

Redação do Grupo Sepé com informações de Agência Brasil


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