INTERNACIONAL
01/07/2026 às 11:40 por João Gomes


Uso da inteligência artificial pode aumentar fadiga mental no trabalho, aponta estudo

Uso da inteligência artificial pode aumentar fadiga mental no trabalho, aponta estudo
Foto: Gerada por IA | ChatGPT

Uso da inteligência artificial pode aumentar fadiga mental no trabalho, aponta estudo.

Pesquisa com quase 1.500 profissionais indica que o excesso de supervisão das ferramentas de IA eleva o esforço cognitivo; automação de tarefas repetitivas, por outro lado, reduz o burnout

A inteligência artificial tem sido apontada como uma aliada para aumentar a produtividade no ambiente de trabalho, mas um novo estudo indica que seu uso também pode ampliar a carga mental dos profissionais, dependendo da forma como a tecnologia é utilizada.

Publicado pela Harvard Business Review, o levantamento analisou dados de uma pesquisa realizada pela Boston Consulting Group (BCG) com 1.488 trabalhadores em tempo integral nos Estados Unidos. O resultado mostrou que profissionais responsáveis por supervisionar constantemente ferramentas de inteligência artificial apresentaram um esforço mental 14% maior em comparação com aqueles que utilizavam a tecnologia com menor necessidade de monitoramento.

Além disso, os trabalhadores submetidos a níveis mais elevados de supervisão registraram aumento de 12% na fadiga mental e de 19% na sobrecarga de informações, sensação causada pelo excesso de dados e decisões que precisam ser processados ao longo da jornada de trabalho.

Segundo os pesquisadores, o problema não está na inteligência artificial, mas na forma como ela é incorporada às atividades. Em vez de eliminar tarefas, muitas vezes a tecnologia transfere parte do trabalho para a revisão de respostas, conferência de informações e avaliação constante sobre a confiabilidade das recomendações geradas pelos sistemas.

O estudo também identificou que profissionais que supervisionam intensamente a IA tendem a enfrentar maior dificuldade para tomar decisões, cometer mais erros e demonstrar maior intenção de deixar o emprego.

Por outro lado, quando a inteligência artificial é utilizada para automatizar tarefas repetitivas e operacionais, sem exigir acompanhamento constante, os efeitos são positivos. Nesse cenário, os pesquisadores observaram redução dos níveis de burnout e melhora na experiência de trabalho.

A conclusão do estudo é que os benefícios da inteligência artificial dependem da forma como ela é implementada nas empresas. Quando aplicada para simplificar processos e reduzir atividades repetitivas, a tecnologia pode contribuir para uma rotina mais eficiente. Já quando exige supervisão contínua, tende a criar uma nova fonte de desgaste mental para os trabalhadores.

Redação do Grupo Sepé com informações de O Globo


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