GERAL
02/07/2026 às 09:13 por Patrick Siede


Enchentes fizeram 349 mil pessoas mudarem de endereço no RS, aponta IBGE

Enchentes fizeram 349 mil pessoas mudarem de endereço no RS, aponta IBGE
Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini/JC

As enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024 fizeram 349,4 mil pessoas mudarem de endereço no Estado. A estimativa consta na Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta quarta-feira, 1º. O levantamento abrangeu áreas atingidas pela tragédia em 133 municípios gaúchos. O número de pessoas que precisaram mudar de moradia representa 5,5% da população investigada, estimada em 6,3 milhões de habitantes.

Além do deslocamento de famílias, a pesquisa aponta que 24,9% dos moradores viviam, no momento da coleta dos dados, em domicílios cujas condições gerais de vida eram consideradas piores do que antes das enchentes. Para 56,5%, a qualidade de vida permaneceu a mesma, enquanto 17,3% relataram melhora.

O estudo também mostra que os impactos foram além dos prejuízos materiais. Conforme o IBGE, 67,5% dos domicílios pesquisados tiveram pelo menos um morador com a saúde mental abalada pelas enchentes. Interrupções na vida social ou no convívio com familiares e amigos atingiram 58,4% dos lares, enquanto 57,3% relataram dificuldade de deslocamento para trabalho, escola ou creche.

Entre os 6,3 milhões de moradores abrangidos pela pesquisa, 55,5% pertenciam a lares que relataram algum tipo de dano na estrutura após as inundações. A avaliação sobre a recuperação das áreas atingidas também mostrou divisão: moradores de domicílios que concentravam 41% da população consideraram o trabalho satisfatório, enquanto 51,2% não ficaram satisfeitos com as ações realizadas.

Outro dado destacado é o desconhecimento sobre medidas preventivas. Apenas 38,5% dos moradores viviam em domicílios que declararam conhecer ações adotadas para reduzir impactos de futuras enchentes. A parcela sem conhecimento chegou a 60,7%.

A pesquisa também indicou que, entre as pessoas que mudaram de endereço, 32,6% pertenciam a domicílios com renda de até R$ 2 mil. O IBGE classifica os dados como estatísticas experimentais, que devem ser analisadas com cautela.

Redação do Grupo Sepé com informações do Jornal do Comércio 


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