
Mais de 150 corpos sem identificação foram enterrados na Venezuela após os terremotos que atingiram o país em 24 de junho. Os sepultamentos ocorreram no cemitério La Esperanza, no estado de La Guaira, região mais afetada pelo duplo tremor.
Conforme jornalistas da AFP, os enterros foram realizados em uma área afastada do cemitério, em valas individuais abertas por coveiros desde o dia seguinte aos abalos. Cada sepultamento foi marcado por uma cruz branca, um pequeno buquê de flores e uma placa com a inscrição “Identificação especial”, além da data de falecimento.
A situação evidencia a gravidade da crise pós-desastre e a dificuldade das autoridades em localizar, reconhecer e entregar as vítimas às famílias. O cenário também contrasta com declarações da presidente interina Delcy Rodríguez, que havia afirmado que nenhuma vítima seria levada a vala comum e que os corpos passariam por procedimentos de identificação, como impressão digital, fotografia ou análise odontológica forense.
O governo venezuelano ainda não divulgou um número oficial de desaparecidos. As Nações Unidas estimam que o total possa chegar a 50 mil pessoas. Passados 13 dias dos terremotos, o número de mortos já ultrapassa 3 mil, segundo balanços divulgados na região.
A demora na recuperação e identificação dos corpos tem provocado revolta entre famílias venezuelanas que seguem em busca de parentes desaparecidos. Em La Guaira, moradores relatam dificuldades para obter informações e acompanhar os trabalhos de busca.
Os tremores agravaram a crise humanitária no país e sobrecarregaram serviços públicos, hospitais, necrotérios e equipes de resgate. Em meio à destruição, muitas famílias seguem procurando seus desaparecidos, enquanto autoridades e voluntários tentam avançar nos trabalhos de identificação e sepultamento das vítimas.
A tragédia é considerada uma das mais graves já enfrentadas pela Venezuela nos últimos anos.
Redação do Grupo Sepé com informações do Correio do Povo