
A possibilidade da imposição de um novo pacote de tarifas a produtos de origem brasileira pelos Estados Unidos, preocupa vários setores do agro. Um deles é o de mel, que exporta quase 80% da produção aos norte-americanos. “O Brasil figura atualmente entre os cinco maiores exportadores de mel do mundo, tendo os Estados Unidos como principal destino”, informou a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel).
De janeiro a maio, o país exportou 11.743 mil toneladas de mel. Como o Rio Grande do Sul contribui com 30% deste total, o coordenador da Câmara Setorial da Apicultura, Aroni Sattler, estima que os produtores gaúchos venderam ao mercado externo 3,5 mil toneladas, sendo 2,6 mil toneladas somente para os Estados Unidos. Portanto, o RS depende significativamente do mercado americano.
“De 70% a 80% do mel orgânico nos EUA vêm do Brasil. Então, talvez isso evite que o mel brasileiro seja sobretaxado. Mas nós temos que aguardar essa posição americana para ver o que que acontece”, destacou Sattler.
O coordenador da Comissão da Apicultura da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Aldo Machado, afirmou que, apesar da dificuldade de negociações, os americanos seguem comprando mel brasileiro. “A nossa sorte foi que eles não têm outro país que tenha condições de substituir o Brasil em quantidade e qualidade de mel orgânico, que é o nosso mel. Por isso que eles estão comprando ainda o nosso mel, mas não tá fácil negociar com eles”, declarou.
Segundo a Abemel, a cadeia produtiva do mel no Brasil é majoritariamente composta por pequenos produtores e agricultores familiares. “Nesse cenário, o aumento tarifário imposto pelos EUA tende a gerar impactos econômicos diretos e imediatos sobre esses produtores, comprometendo sua atividade e seu sustento.”
Esta semana, a entidade pediu ao governo brasileiro “uma abordagem diplomática e estratégica na condução desse tema, evitando medidas que possam agravar ainda mais o cenário atual”.
Fonte: Correio do Povo