INTERNACIONAL
16/07/2026 às 13:39 por João Gomes


Crise em Ormuz expõe dependência brasileira do diesel importado

Crise em Ormuz expõe dependência brasileira do diesel importado

Especialista aponta que o Brasil possui maior proteção no abastecimento de gasolina graças ao etanol, mas segue vulnerável no diesel, combustível essencial para transporte, agronegócio e indústria.

As recentes tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, voltaram a acender o alerta sobre a segurança energética global e evidenciaram um ponto sensível da matriz brasileira: a dependência da importação de diesel.

Embora o Brasil tenha construído, ao longo das últimas décadas, uma estrutura capaz de reduzir a necessidade de gasolina importada por meio do etanol, a realidade é diferente quando se trata do diesel, combustível que movimenta o transporte de cargas, a produção agrícola e grande parte da atividade industrial.

A avaliação é do especialista em energia, transição energética e mudanças climáticas Eric Fernando Boeck Daza. Segundo ele, o sistema formado pelo Proálcool, pela produção de etanol de cana-de-açúcar e milho, pela mistura obrigatória e pela ampla frota de veículos flex tornou o país mais preparado para enfrentar oscilações no mercado internacional de gasolina.

De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia, a elevação da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32% reduziria em aproximadamente 900 milhões de litros, ao longo de um ano, a necessidade de importação de gasolina — volume equivalente ao consumo anual de uma grande capital brasileira.

Apesar de produzir cerca de 4,3 milhões de barris de petróleo por dia, conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Brasil ainda depende da importação de derivados para atender à demanda interna. Isso ocorre devido às características do petróleo produzido no país e à capacidade de refino disponível.

Em abril, aproximadamente 25% do diesel comercializado no mercado brasileiro teve origem no exterior. A Rússia respondeu por quase metade das importações, cenário que, segundo o especialista, amplia a exposição do Brasil às instabilidades geopolíticas, especialmente diante da guerra no Leste Europeu e de ataques à infraestrutura energética russa.

A preocupação aumenta porque cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados passam diariamente pelo Estreito de Ormuz, o equivalente a aproximadamente um quinto do consumo mundial. Qualquer interrupção na região pode elevar os preços não apenas do petróleo bruto, mas também de combustíveis refinados, como diesel e querosene de aviação.

Para reduzir essa vulnerabilidade, Eric defende o avanço gradual do uso do biodiesel. No entanto, ressalta que mudanças na composição do combustível exigem testes técnicos, validações em motores e garantias de desempenho, tornando o processo mais complexo do que a ampliação da mistura de etanol na gasolina.

Além da segurança energética, o especialista avalia que o Brasil pode transformar sua experiência na produção de biocombustíveis em vantagem competitiva internacional. Em um cenário de busca por alternativas ao petróleo, o país reúne condições para ampliar sua participação no mercado global de combustíveis renováveis, fortalecendo a economia e reduzindo a dependência de fontes fósseis sujeitas a crises internacionais.

Redação do Grupo Sepé com informações de Zolla Agência de Comunicação


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