POLÍTICA
18/07/2026 às 11:26 por Patrick Siede


Movimento de Michelle parece protótipo de partido e promete ser imparável

Movimento de Michelle parece protótipo de partido e promete ser imparável
Foto: Allison Sales/Folhapress

A movimentação política liderada por Michelle Bolsonaro e Damares Alves passou a ser vista como um dos fenômenos mais relevantes da direita brasileira às vésperas das eleições de 2026. Com forte presença nas redes, eventos pelo país e articulação com lideranças locais, o grupo feminino conservador amplia sua influência e começa a ganhar contornos de uma estrutura política própria.

Michelle, que ganhou projeção nacional durante o governo de Jair Bolsonaro, intensificou sua agenda pública nos últimos anos. À frente de encontros do PL Mulher, ela tem percorrido estados, mobilizado candidaturas femininas e fortalecido a presença de mulheres conservadoras em espaços antes dominados por lideranças masculinas.

Damares Alves, senadora e ex-ministra, também exerce papel central nessa articulação. Com atuação ligada a pautas religiosas, familiares e antiaborto, ela consolidou uma rede nacional com forte presença em igrejas, movimentos sociais conservadores e bases eleitorais da direita.

A ascensão das duas lideranças ocorre em um momento de reorganização do campo bolsonarista. Enquanto nomes masculinos disputam espaço interno, Michelle e Damares aparecem com capacidade de mobilização, apelo popular e conexão direta com segmentos religiosos e comunitários.

A força desse movimento também provoca tensões dentro da própria direita. Ataques direcionados a Michelle, Damares e suas famílias são interpretados por aliados como reação à crescente autonomia política das mulheres conservadoras. A crítica é que parte da ala masculina ainda tenta limitar o protagonismo feminino dentro do grupo.

Mesmo sem romper com os líderes homens da direita, Michelle e Damares demonstram que a mobilização feminina deixou de ser apenas apoio de bastidor e passou a ocupar papel estratégico. A atuação delas pode influenciar disputas ao Senado, à Câmara dos Deputados e também o cenário presidencial de 2030.

Com capilaridade nas bases, discurso religioso e capacidade de mobilização nacional, o movimento liderado pelas duas se consolida como força política relevante e pode ser decisivo nos próximos ciclos eleitorais.

Redação do Grupo Sepé com informações de Thaísa Oliveira e Carolina Linhares/Folha de S.Paulo


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