POLÍCIA
21/07/2026 às 14:54 por João Gomes


Caso Oliver: velório de menino de 3 anos morto após ser espancado pelo pai deve acontecer nesta quarta e ser custeado por prefeitura

Caso Oliver: velório de menino de 3 anos morto após ser espancado pelo pai deve acontecer nesta quarta e ser custeado por prefeitura
Foto: Reprodução/Redes sociais

A família se enquadra em critérios de vulnerabilidade necessários para que ocorra um "velório social", previsto pela prefeitura de Viamão.

O velório de Oliver Golden Grayson, menino de três anos morto após ser espancado pelo pai em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, deve ocorrer na tarde desta quarta-feira, 22, no Cemitério Nossa Senhora Da Conceição. A família se enquadra em critérios de vulnerabilidade necessários para que ocorra um "velório social", previsto pela prefeitura de Viamão.

Oliver morreu no dia 8 de julho. O pai dele, o missionário norte-americano D'Andre Jermaine Grayson, que confessou o crime à polícia, está preso preventivamente desde 5 de julho. O menino morreu no dia 8 de julho. A mãe, Mayanna Rodgers, foi presa preventivamente no dia 9 de julho. Os quatro irmãos da vítima seguem em um abrigo.

A Justiça determinou que a mãe de Oliver seja escoltada para fora da prisão para reconhecer o corpo do filho. O deslocamento de Mayanna da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba ao Departamento Médico-Legal (DML) foi autorizado após o MPRS informar ao Judiciário que todas as perícias necessárias já foram concluídas, não havendo mais impedimentos legais para a entrega do corpo à família.

A defesa de Mayanna informou que o IML já realizou o reconhecimento de Oliver através da papiloscopia, método que identifica indivíduos através das impressões digitais, palmares ou plantares.

Anteriormente, a direção do presídio onde ela estava havia negado a liberação extraordinária da detenta, sob o argumento de que a grande repercussão do caso gerava riscos à integridade física dela e dos agentes de escolta. Na ocasião, a defesa de Mayanna criticou a medida, classificando-a como uma "punição antecipada".

Até o momento, 11 testemunhas foram ouvidas pela investigação e a previsão de conclusão do inquérito é no início de agosto. A delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, afirmou que os pais orientavam os filhos a esconder os machucados. De acordo com a polícia, as crianças usariam roupas compridas e seriam instruídas a inventar histórias para justificar as marcas pelo corpo.

A polícia também analisou a estrutura da residência da família. O local é uma casa de madeira pequena, sem portas, onde a divisão dos cômodos era feita apenas por panos.

A investigação apura a conduta da mãe e avalia, por meio de perícias psíquicas que ainda serão realizadas com as crianças, se ela foi omissa em relação à morte e às agressões ou se também praticava as torturas. Em um inquérito separado, a Polícia Civil investiga indícios de que Mayanna sofria violência física e psicológica do marido.

As polícias civis de Santa Catarina e de São Paulo enviaram cópias de ocorrências que apontam indícios de maus-tratos cometidos pela família nesses estados entre 2024 e 2025. A Polícia Federal (PF) e a Interpol também foram acionadas para verificar os antecedentes dos estrangeiros e a situação legal da família no Brasil.

A polícia investiga possíveis falhas na rede de proteção de Viamão, onde a família morava, para esclarecer quais medidas foram adotadas diante dos sinais de maus-tratos.

Entenda o caso

A Polícia Civil afirma que o menino de 3 anos teria sido espancado pelo próprio pai em Viamão. O missionário norte-americano confessou o crime à polícia e está preso preventivamente desde domingo (5). Em depoimento à Polícia Civil, ele disse que a motivação para as agressões foi o filho não ter lhe dado "bom dia".

De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, substituta na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pela investigação, o homem relatou ter desferido socos no peito e no abdômen da criança, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão. O crime aconteceu no distrito de Águas Claras, onde a família mora.

O que diz a defesa de D'Andre

"Em razão da repercussão pública alcançada pelo caso envolvendo D’Andre Grayson, e diante de manifestações veiculadas na imprensa e nas redes sociais que antecipam juízos de valor, a defesa técnica vem a público esclarecer o que segue.

O processo tramita sob segredo de justiça. Por dever ético e legal, a defesa não vai comentar fatos, provas ou peças cobertas pelo sigilo, e espera o mesmo padrão de conduta de quem venha a obter acesso a esse conteúdo, dentro ou fora do processo.

Exposição midiática antecipada não substitui o processo, onde haverá produção de provas, contraditório e ampla defesa. O contraponto percorrerá o processo: com prova autuada, e não no espaço público, por meio de acusações genéricas ou de julgamento paralelo movido por comoção.

Na persecução penal, a integridade das informações sobre o caso é dever legal. Divulgação seletiva e antecipada de conteúdo sigiloso, além de configurar possível ilícito, compromete a lisura do processo e pode causar dano irreparável a quem não foi condenado.

Em tempo, a defesa lamenta a decisão da qual resulta o atual afastamento dos quatro filhos de sua mãe, sobretudo em momento de luto e necessidade de amparo familiar. O processo penal não deve prestar-se a punir antecipadamente quem já está vitimado pela perda.

Por fim, defesa confia nas instituições e no Poder Judiciário e exige o cumprimento estrito do devido processo legal sem antecipações e exposição indevida. Seguirá atuando com serenidade técnica, firmeza e absoluto compromisso com os direitos fundamentais de seu cliente.

Ismael Schmitt"

O que diz a defesa de Mayanna

"A defesa de Mayanna Angelina Rodgers está colaborando com as autoridades, permanecendo a disposição da justiça para esclarecimentos dos fatos.

Consigna que a constituinte é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado.

A defesa confia no devido processo legal, contraditório e ampla defesa, nos termos da Constituição Federal, reafirmando que apenas a ampla instrução processual permitirá a correta apuração dos fatos.

Por respeito a memória da criança e ao sigilo das investigações não serão fornecidas outras informações.

Isabel Cochlar – OAB/RS 71.415

Juliana Braun Martins OAB/RS 103.017

André von Berg - OAB/RS 44.063"

Fonte: G1 RS


Compartilhe essa notícia: