
Sem avanços nas negociações diplomáticas, entrou em vigor nesta quarta-feira, 22, a nova sobretaxa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A tarifa adicional de 25% deve atingir cerca de 18% das exportações nacionais e quase metade dos embarques do Rio Grande do Sul para o mercado norte-americano.
Segundo cálculo da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul, a medida impacta 48,2% das exportações gaúchas destinadas aos Estados Unidos, segundo principal mercado comprador dos produtos do Estado. Embora o governo norte-americano tenha divulgado uma lista de exceções, apenas cerca de 2% do total exportado pelo RS aos Estados Unidos ficou fora da nova tarifa. Entre os itens gaúchos atingidos estão máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos, calçados, móveis, tabaco, produtos metalúrgicos e bens manufaturados.
A nova cobrança se soma a outras tarifas já aplicadas sobre produtos como aço, alumínio e derivados. Com isso, a Fiergs estima que 85,1% das exportações gaúchas aos Estados Unidos passam a estar sob algum tipo de taxação extra. No cenário nacional, a tarifa deve afetar setores como madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados, açúcar, etanol, tabaco, pneus e derivados de alumínio. O governo federal estima impacto sobre aproximadamente US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras.
Alguns produtos importantes ficaram na lista de exceções, como carne bovina, café, especiarias, aeronaves civis e peças, suco de laranja, frutas, nozes, minérios, combustíveis, produtos químicos e farmacêuticos. A justificativa dos Estados Unidos é baseada em investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil, envolvendo barreiras digitais, mercado de etanol, questões ambientais e governança.
O governo brasileiro descarta, por enquanto, medidas de retaliação. A estratégia deve priorizar negociação diplomática e ações de apoio aos setores afetados, incluindo linhas de crédito e reforço ao Fundo de Garantia à Exportação. Além da tarifa de 25%, o Brasil ainda pode enfrentar uma nova taxação ligada a investigações sobre cadeias produtivas e trabalho forçado.
Redação do Grupo Sepé com informações da GZH