
O casal natural de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, Vanessa Kapper, de 35 anos, e Lorenzo Marques, de 40, junto com o cachorro Galeto, de 8 anos, viajam há oito anos pelo mundo a bordo de uma Kombi. Ou melhor, são conhecidos pelo nome Por Aí de Kombi.
Nas redes sociais, são um fenômeno. No Instagram, acumulam 405 mil seguidores e, no YouTube, 208 mil inscritos. Em suas plataformas, compartilham a rotina, paisagens deslumbrantes e as viagens por diversos países.
Em conversa com o casal, contaram um pouco sobre como tudo começou e como é viajar pelo mundo em um veículo.
Muitas pessoas podem pensar que é loucura deixar tudo para viajar sem saber o que o futuro reserva. Para Vanessa e Lorenzo, isso nunca foi um problema. Eles relataram que se conheceram por causa do assunto sobre viagens e, ainda no namoro, faziam passeios curtos. Lorenzo estava frustrado com o trabalho e já sonhava em cair na estrada. Vanessa abraçou esse sonho.
A ideia inicial era comprar uma Kombi para acampar nos finais de semana. No entanto, eles conheceram o universo dos viajantes que vivem dentro dos próprios veículos e decidiram seguir o mesmo estilo de vida.
O planejamento era viajar apenas seis meses e depois retornar para casa. Porém, quando deixaram o Brasil, só voltaram três anos depois.
A jornada começou em março de 2018, período em que ficaram três anos longe do Rio Grande do Sul. Ao retornarem, reformaram a Kombi, que era a casa deles durante as viagens.
Antes da pandemia, os missioneiros planejavam enviar a Kombi para a Europa e percorrer diversos países. Com a chegada da Covid-19, os planos mudaram e eles aproveitaram para conhecer todos os estados brasileiros.
Em 2021, compraram um micro-ônibus americano para transformá-lo na casa dos sonhos e dar a volta ao mundo. Depois de quase um ano e meio de reforma, iniciaram a viagem, mas, pouco mais de 40 dias depois, decidiram retornar devido aos problemas mecânicos e a um princípio de incêndio na Argentina.
Mesmo diante dos imprevistos, não desistiram do sonho de conhecer o mundo. Viajaram até Ushuaia em um Del Rey adquirido por R$ 2.500. A experiência renovou a confiança do casal e os motivou a restaurar a Kombi para seguir rumo ao Alasca.
Não são apenas os dois que percorrem o mundo. O cachorro Galeto também faz parte da aventura.
O pet foi adotado quando o casal retornou de uma viagem de seis meses para fora do Brasil.
"O Galeto entrou na nossa vida com apenas dois meses de idade e cresceu na estrada ao nosso lado. Hoje, ele acabou de completar oito anos e faz parte de praticamente toda a história do Por Aí de Kombi. Ele não apenas se adaptou à viagem. Esse é o mundo que ele conhece desde filhote. Para nós, o Galeto não é apenas o cachorro da família, mas um verdadeiro companheiro de estrada e parte essencial de tudo o que vivemos", explica o casal.
Os santo-angelenses afirmam que a presença do Galeto é algo natural e que não conseguem imaginar as viagens sem ele. Também gostariam que mais animais tivessem a oportunidade de viver experiências semelhantes, conhecendo lugares admiráveis, vivendo em contato com a natureza e participando de praticamente todos os momentos da jornada. Embora exista burocracia nas fronteiras e diversos cuidados necessários, eles não abrem mão do companheiro de quatro patas.
Mesmo após percorrerem diversos países, existe um lugar para o qual desejam voltar: a Patagônia.
"A Patagônia é uma região para a qual queremos voltar muitas vezes. É um lugar mágico, com paisagens impressionantes e possibilidades praticamente infinitas de exploração. Somos fascinados por destinos de natureza, então tudo o que envolve montanhas, lagos, estradas cênicas e lugares mais isolados acaba conquistando o nosso coração."
Além disso, o casal sonha em conhecer a Europa e atualmente realiza outro grande objetivo é percorrer os Estados Unidos.
O casal de gaúchos pretende chegar ao Alasca. Antes disso, vai desbravar os Estados Unidos, onde, segundo eles, tiveram apenas boas experiências até o momento.
Eles explicam que o Alasca será o destino final desta jornada e representará um marco em suas histórias.
"Estamos muito animados e ansiosos para viver esse momento."
Antes dessa grande aventura, no entanto, é preciso se preparar. O clima extremo da região, principalmente por estarem viajando em um veículo antigo.
Viver na estrada também significa lidar com a saudade. Deixar a cidade natal para conhecer o mundo é um passo importante.
Vanessa e Lorenzo explicam como enfrentam esse sentimento:
"A saudade é uma das partes mais difíceis da vida na estrada. Existem momentos especiais em que gostaríamos muito de estar perto da família e dos amigos, principalmente em aniversários, datas comemorativas ou quando alguém está passando por uma situação difícil."
Com o avanço da tecnologia, o casal consegue amenizar um pouco essa distância por meio de chamadas de vídeo e acompanhando a rotina dos familiares. Segundo eles, depois de oito anos na estrada, aprenderam a conviver com a saudade e passaram a valorizar ainda mais cada reencontro.
O apoio da família fortalece a decisão de continuar desbravando o mundo. A saudade permanece, mas faz parte da escolha de seguir viajando.
Para quem sonha em cair na estrada e conhecer o mundo, Vanessa Kapper e Lorenzo Marques dão um conselho: não é preciso largar tudo de uma vez. O ideal é começar aos poucos, fazendo viagens curtas, acampando e experimentando esse estilo de vida para descobrir se ele realmente faz sentido. O mais importante é começar com o que se tem e da maneira como é possível hoje.
O casal ainda destaca:
"Também é importante entender que nunca existirá o momento perfeito. Sempre haverá algum medo, alguma insegurança financeira ou alguma coisa que ainda precisa ser resolvida. Planejamento é fundamental, mas é impossível prever tudo o que acontecerá pelo caminho."
A história dos dois também foi marcada por erros, problemas mecânicos, mudanças de planos e recomeços."Nem sempre as coisas aconteceram da maneira que imaginávamos, mas aprendemos que mudar a rota não significa desistir do sonho", concluem Vanessa e Lorenzo.
Ana Carolina Zago/Redação do Grupo Sepé