
Investigação aponta que grupo criminoso extorquia familiares de usuários de drogas, movimentou altos valores e utilizava ameaças para cobrar supostas dívidas de tráfico.
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira, 28, a Operação Epílogo, que resultou na prisão preventiva de nove investigados por integrar um grupo criminoso responsável por extorquir familiares de usuários de drogas na região das Missões. A ação foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Cerro Largo, sob o comando do delegado Charles Dias do Nascimento.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Cruz Alta, Ijuí, Novo Hamburgo, Roque Gonzales, São Luiz Gonzaga e Três Passos. Cerca de 60 policiais civis participaram da operação.
Segundo a investigação, o esquema criminoso atuava há mais de um ano e tinha como alvo familiares de usuários de drogas residentes em Cerro Largo e municípios da região. Os investigados exigiam pagamentos sob a alegação de supostas dívidas relacionadas ao tráfico de drogas ou a empréstimos com agiotas.
Conforme a Polícia Civil, parte do grupo comandava as extorsões de dentro do sistema prisional. As vítimas recebiam ligações e mensagens com cobranças e prazos para realizar depósitos bancários. Quando os valores não eram pagos, integrantes da organização eram enviados para realizar ameaças presenciais.
As investigações apontam que, em um dos casos, um dos mensageiros praticou abuso sexual contra uma mulher pertencente a uma das famílias extorquidas. Em outra ocorrência, um integrante do grupo realizou uma chamada de vídeo para que um dos líderes presos falasse diretamente com as vítimas e reforçasse as ameaças.
A Polícia Civil também identificou que os depósitos eram sacados por terceiros, responsáveis por ocultar a origem dos valores e abastecer financeiramente as atividades da organização criminosa. Entre os investigados estão os mandantes, os responsáveis pelas cobranças e as pessoas encarregadas de movimentar o dinheiro obtido com as extorsões.
O grupo ainda é suspeito de um ataque a tiros contra a residência de uma vítima, no interior de Salvador das Missões, em 2025. Na ocasião, diversos disparos foram efetuados como forma de intimidação, deixando um jovem ferido.
Os valores exigidos variavam conforme as vítimas. Em um dos casos, uma família chegou a desembolsar cerca de R$ 200 mil para atender às exigências dos criminosos.
Durante a Operação Epílogo, foram apreendidos veículos, porções de cocaína e maconha, além de uma pistola. Quatro dos investigados já estavam recolhidos ao sistema prisional quando os mandados foram cumpridos.
A Polícia Civil informou que as investigações terão continuidade para identificar possíveis novas vítimas e aprofundar a apuração sobre a atuação do grupo. Os investigados deverão responder pelos crimes de extorsão e lavagem de dinheiro.
Redação do Grupo Sepé