POLÍCIA
14/08/2026 às 09:15 por João Gomes


MPRS apura rachadinha e uso de cargos em Pelotas

MPRS apura rachadinha e uso de cargos em Pelotas
Foto: MPRS / CP

Operação Expurgo cumpriu 33 mandados e investiga suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos na Câmara Municipal.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/Sul), deflagrou nesta sexta-feira, 14, a Operação Expurgo. A investigação apura um suposto esquema de “rachadinha”, lavagem de dinheiro e a utilização de cargos públicos para beneficiar integrantes de uma organização criminosa na Câmara Municipal de Pelotas.

Ao todo, foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão em Pelotas e Capão do Leão. A operação tem 20 alvos, sendo 19 pessoas físicas e uma pessoa jurídica. Entre os investigados estão três vereadores, chefe de gabinete, assessores parlamentares, servidores comissionados, guardas municipais, empresários e outros particulares.

Cinco ordens judiciais foram cumpridas dentro da Câmara de Pelotas, incluindo gabinetes parlamentares e locais de trabalho de servidores investigados. Durante as diligências, foram apreendidos R$ 96 mil em dinheiro com dois vereadores e um assessor parlamentar, além de documentos e equipamentos eletrônicos.

Segundo o Gaeco, a investigação identificou indícios de que servidores comissionados eram obrigados a devolver parte dos salários recebidos com recursos públicos. Os valores seriam destinados a terceiros ligados ao esquema e posteriormente ocultados ou movimentados em benefício particular.

Outra frente da apuração investiga a possível utilização de cargos do Legislativo para beneficiar integrantes de uma organização criminosa. Há ainda suspeitas de uso de dinheiro público para pagamento de dívidas relacionadas à agiotagem e movimentação de recursos de origem ilícita.

A investigação teve início após informações apresentadas espontaneamente ao MPRS por um ex-secretário municipal e dois servidores da Câmara. Conforme o Ministério Público, os relatos foram posteriormente confrontados com documentos, provas digitais e informações financeiras obtidas mediante autorização judicial.

A Operação Expurgo busca aprofundar as investigações sobre possíveis crimes de organização criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva, usura, lavagem de dinheiro e outros ilícitos que possam ser identificados.

A Câmara Municipal de Pelotas informou que deverá divulgar uma nota oficial sobre a operação após reunião da Mesa Diretora.

Redação do Grupo Sepé com informações de Correio do Povo


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