POLÍTICA
08/09/2026 às 20:00 por Ana Carolina Zago


Após crise no Supremo, ministro Alexandre de Moraes acumula 55 pedidos de impeachment

Após crise no Supremo, ministro Alexandre de Moraes acumula 55 pedidos de impeachment
Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes acumula 55 pedidos de impeachment no Senado. O número aumentou após o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentar uma nova denúncia contra o magistrado, que foi assinada por pelo menos 21 senadores. O pedido solicita a perda do cargo e a inabilitação de Moraes para exercer função pública por oito anos.

As solicitações contra Moraes começaram a ser apresentadas em 2021 e foram protocoladas por diferentes autores, entre deputados, senadores, associações, organizações e cidadãos. Segundo levantamento citado pela CNN Brasil, os 55 pedidos ainda não avançaram no Senado. No total, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que existem 109 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

O único pedido contra Moraes que havia sido formalmente indeferido foi apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2021. Bolsonaro protocolou a denúncia em 24 de agosto daquele ano. Três dias depois, o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), rejeitou o pedido após análise da Advocacia do Senado, que considerou que a denúncia não apresentava adequação legal.

Na ocasião, Pacheco afirmou que a decisão também poderia contribuir para reduzir a tensão entre os Poderes. “Há também o lado político de uma oportunidade dada para que possamos restabelecer as boas relações entre os Poderes”, declarou o então presidente do Senado.

O novo pedido apresentado por Alessandro Vieira ocorre em meio a uma nova crise envolvendo ministros do STF e a Polícia Federal. Nesta terça-feira (8), o ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

A decisão de Mendonça está relacionada a relatórios de inteligência produzidos no âmbito da Polícia Federal e posteriormente utilizados por Alexandre de Moraes. Os documentos levantaram suspeitas sobre a atuação de Mendonça na condução de investigações relacionadas ao Banco Master.

Segundo Mendonça, foram produzidos seis relatórios entre 3 e 31 de agosto com análises sobre sua atuação e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. O ministro afirmou que teria sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” por mais de 30 dias.

Na decisão, Mendonça também determinou o afastamento de Leandro Almada e ordenou a abertura de procedimentos para apurar a produção dos relatórios. O ministro afirmou que os documentos não apresentavam elementos suficientes de autenticidade e confiabilidade e determinou medidas para impedir a continuidade da produção e do compartilhamento de materiais destinados a analisar a atuação funcional de autoridades.

O episódio ampliou o conflito entre Mendonça e Moraes, que já vinha sendo acompanhado no Senado. Em 1º de setembro, senadores como Alessandro Vieira, Carlos Viana (PSD-MG), Cleitinho (Republicanos-MG), Damares Alves (Republicanos-DF), Esperidião Amin (PP-SC), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Izalci Lucas (PL-DF), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Magno Malta (PL-ES) defenderam o afastamento de Moraes por impeachment ou renúncia.

O avanço dos pedidos de impeachment depende do presidente do Senado. Alcolumbre, porém, não colocou as solicitações contra Moraes em votação.

Fonte: O Sul


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