GERAL
16/09/2026 às 20:00 por Ana Carolina Zago


El Niño gera impacto de R$ 1,2 bi a região Sul em julho e agosto, diz estudo

El Niño gera impacto de R$ 1,2 bi a região Sul em julho e agosto, diz estudo
Foto: Divulgação/Prefeitura de Taquara/JC

A dimensão do impacto que o El Niño irá causar não só no Rio Grande do Sul mas em toda a extensão do território brasileiro ainda é incerta e gera temor para os próximos meses, que devem trazer mais intensidade para o fenômeno. Porém, o que já é possível mensurar são os primeiros estragos, vistos como substanciais. Conforme o Boletim El Niño 2026/2027 da Confederação Nacional de Municípios (CNM), divulgado em setembro com os dados referentes a julho e agosto, os prejuízos econômicos no País ultrapassaram R$ 8,2 bilhões, sendo R$ 6,5 bilhões em danos privados, R$ 1,6 bilhão em públicos e R$ 182,8 milhões em unidades habitacionais.

Na região Sul, onde houve a maior concentração e diversidade de eventos severos do bimestre, com chuvas intensas, inundações, vendavais, granizo e tornados, o baque foi de R$ 1,2 bilhão. Vale ressaltar que o estudo não possui recortes estaduais.

Mas, apesar do Sul ser o mais atingido em número de eventos, as regiões Nordeste e Sudeste foram as mais prejudicadas financeiramente, conforme o levantamento da CNM. No primeiro caso, foram R$ 3,9 bilhões e, no segundo, o valor ficou em R$ 2,2 bilhões. Norte (R$ 772,8 milhões) e Centro-Oeste (R$ 176 milhões) fecham a lista.

Em nível nacional, dividido por setores, a agricultura concentrou a maior parcela das perdas, com cerca de R$ 4,16 bilhões, seguida pela pecuária (R$ 978,7 milhões), comércio (R$ 889,1 milhões), serviços (R$ 348,1 milhões) e indústria (R$ 112,8 milhões).

Já o detalhamento do prejuízo para o setor público mostra um impacto significativo em assistência médica e saúde pública, com R$ 555,3 milhões. Além disso, obras de infraestrutura tiveram perdas estimadas em R$ 322,3 milhões e o abastecimento de água potável ficou à beira dos R$ 300 milhões. Por fim, quanto às unidades habitacionais, 27.278 foram afetadas e outras 573 destruídas. 

Danos humanos

E além das cifras negativas, os danos e as perdas humanas também foram contabilizados. São 4,7 milhões de pessoas afetadas em 641 municípios, com 11 mortes e 49 mil pessoas obrigadas a deixar suas casas. No Rio Grande do Sul, o pico de desabrigados conforme dados oficiais do governo do Estado foi no dia 23 de julho, quando o contingente chegou a 1.313.

Agora, a apreensão fica para a sequência do fenômeno. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que a probabilidade de um evento muito forte durante a primavera e o verão de 2026–2027 supera os 90%, enquanto há probabilidade de 75% de ser o evento mais forte registrado desde 1950, durante o último trimestre deste ano.

De acordo com o Boletim nº 3 do Painel El Niño 2026–2027, divulgado em 1º de setembro pelo Inmet, a Região Sul tem a maior probabilidade de chuva acima da média e merece atenção para a possibilidade de episódios de cheias e inundações, especialmente no Rio Grande do Sul.

Ainda assim, o órgão faz a ressalva que é “importante compreender os limites dessas previsões, que representam tendências para períodos de vários meses e não permitem determinar antecipadamente quando ocorrerá uma tempestade, qual cidade será atingida por um evento extremo ou qual será o volume de chuva registrado em um episódio específico”. Ademais, o Inmet destaca que um El Niño mais intenso não implica, necessariamente, impactos mais severos, embora possa aumentar a probabilidade de determinados eventos.

Orçamento e aportes na prática

De volta ao Boletim da CNM, há o alerta para a diferença entre recursos prometidos pela União e valores efetivamente repassados aos municípios. Conforme o levantamento, entre 2010 e agosto de 2026, foram prometidos R$ 38,7 bilhões para ações municipais de Defesa Civil. “Desse total, R$ 10,6 bilhões foram efetivamente repassados às prefeituras, ou seja, 29,3% do total prometido dentro do exercício do orçamento”, frisa o texto. 

Outro ponto importante relatado pelo documento é que, apesar do anúncio federal de R$ 1,3 bilhão para ações relacionadas ao El Niño 2026/2027, não foi definida uma parcela específica desse montante para transferência direta aos municípios. Os recursos para resposta e recuperação de desastres continuam dependendo dos mecanismos próprios da Proteção e Defesa Civil.

Fonte: Jornal do Comércio 


Compartilhe essa notícia: