
Primeira etapa terá cinco voluntários com lesão medular aguda e será voltada à avaliação da segurança da substância.
O primeiro estudo clínico com a polilaminina em humanos deve começar na próxima quinta-feira, 24. O anúncio foi feito pelo laboratório Cristália, responsável pelo desenvolvimento do candidato a medicamento, que será inicialmente testado em cinco voluntários com lesão medular aguda.
A primeira etapa corresponde à Fase 1 do estudo clínico e terá como principal objetivo avaliar a segurança da substância. Por isso, os resultados desta fase ainda não permitirão concluir se a polilaminina é eficaz na recuperação de movimentos de pacientes com lesões na medula.
Poderão participar pessoas entre 18 e 72 anos que tenham sofrido lesão completa da medula na região torácica e estejam indicadas para cirurgia. Outro critério é que o trauma tenha ocorrido há, no máximo, 72 horas.
Os testes serão realizados no Hospital das Clínicas e na Santa Casa de Misericórdia, ambos em São Paulo. A previsão é de que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também auxilie na identificação e no encaminhamento de pacientes que atendam aos critérios do estudo.
A polilaminina é pesquisada como uma possível alternativa para estimular a regeneração após lesões medulares agudas. A proposta é que a substância, aplicada no local lesionado, favoreça a formação de novas conexões nervosas e possa contribuir para restabelecer parte da comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.
Estudos preliminares realizados pela equipe da pesquisadora Tatiana Sampaio apontaram diferentes níveis de recuperação motora em um pequeno grupo de pacientes. Os resultados, porém, não permitem afirmar que a melhora tenha sido provocada pela polilaminina nem comprovar sua eficácia.
A autorização para a realização da Fase 1 foi concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro deste ano. Desde então, o laboratório avançou nos procedimentos necessários para o início dos testes.
Caso os resultados demonstrem um perfil adequado de segurança, o programa poderá seguir para as fases 2 e 3. Essas etapas envolvem um número maior de participantes e são destinadas a avaliar aspectos como eficácia, dosagem e possíveis efeitos adversos.
Até a conclusão dessas etapas, a polilaminina permanece como um candidato a medicamento. Também não há, até o momento, evidências científicas de benefício para pessoas com lesões medulares crônicas, já que os estudos realizados se concentram em traumas recentes.
Redação do Grupo Sepé com informações de G1