GERAL
22/09/2026 às 21:50 por Ana Carolina Zago


Fim da “taxa das blusinhas” faz encomendas internacionais crescerem 74% em um ano

Fim da “taxa das blusinhas” faz encomendas internacionais crescerem 74% em um ano
Foto: Reprodução

As pequenas encomendas em sites internacionais de comércio eletrônico dispararam com o fim da "taxa das blusinhas", como era chamado o imposto cobrado nas importações de até US$ 50. A média de 15,4 milhões de remessas registrada entre janeiro e abril subiu para 20 milhões em maio, 28 milhões em junho e permaneceu acima de 26 milhões em julho e agosto.

O imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, que antes era de 20%, foi zerado em maio, por meio de uma medida provisória aprovada pelo Congresso e convertida em lei em 10 de setembro. Em valores, as compras passaram de uma média mensal de US$ 308 milhões nos quatro primeiros meses do ano para US$ 520 milhões nos quatro meses seguintes.

Os números dizem respeito às remessas internacionais declaradas. Foram extraídos de levantamentos do programa Remessa Conforme, criado para combater a sonegação fiscal nas compras internacionais, pela Abit, a entidade que representa a indústria do vestuário. O setor está entre os mais afetados pela entrada de concorrentes, especialmente chineses, por meio de plataformas como Shopee, AliExpress e Shein.

Em agosto, foram declaradas 26,5 milhões de remessas, alta de 74% em relação às 15,2 milhões registradas no mesmo mês de 2025. O valor das compras passou de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões, crescimento de 79% neste ano.

A Abit chama a atenção ao crescimento das importações, após o fim da "taxa das blusinhas", para cobrar equivalência tributária e regulatória entre produtos nacionais e importados. A associação sustenta que a indústria nacional concorre com mercadorias estrangeiras que, especialmente nas remessas de até US$ 50, recebem tratamento tributário mais favorável e não estão submetidas aos mesmos controles e normas trabalhistas, ambientais, sanitárias e de segurança.

"Essa assimetria já cobra um preço elevado. O aumento das remessas soma-se à forte expansão das importações convencionais e à retração do mercado interno. Como resultado desse conjunto de pressões, a produção vem caindo, empregos estão sendo eliminados e investimentos são adiados ou revistos", comenta a Abit.

Segundo a entidade, a produção têxtil caiu 6,8% e a de confecção recuou 8,2% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. A associação também afirma que o cenário tem contribuído para redução da produção, eliminação de empregos e adiamento de investimentos.

Fonte: Correio do Povo 


Compartilhe essa notícia: