
Qualificação e acessibilidade são fundamentais para ampliar a inclusão na educação e no mercado de trabalho.
A inclusão das pessoas surdas avançou nos últimos anos, mas ainda enfrenta desafios no mercado de trabalho, na educação e no acesso à comunicação. O tema foi debatido durante entrevista à Rádio Sepé, AM 540, alusiva ao Dia Internacional das Línguas de Sinais, com o tema “Libras no contexto atual: estamos, de fato, exercitando a inclusão?”.
Participaram da conversa, de forma on-line, Wilhem Wehn, gerente de Tecnologia e coordenador do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Faculdade Uníntese; Lucirene Franz Ferrari Fernandes, presidente da Associação Gaúcha dos Intérpretes de Língua de Sinais (AGILS); e Adiene Medeiros de Souza, tradutora e intérprete de Libras da Faculdade Uníntese e vice-presidente da AGILS.
Durante a entrevista, Wilhem destacou a relação histórica da Uníntese com a Libras e ressaltou que setembro representa um período de reflexão sobre as conquistas e os desafios da comunidade surda. A instituição mantém formação específica na área, incluindo o Bacharelado em Letras/Libras voltado à tradução e interpretação.
Lucirene explicou que a AGILS completa 20 anos em 2027 e atua no fortalecimento da categoria, orientação de instituições e defesa dos direitos dos profissionais. Entre as demandas estão maior valorização, criação de um conselho profissional e estabelecimento de piso salarial.
No mercado de trabalho, a presidente da entidade alertou que contratar uma pessoa surda apenas para cumprir cotas não representa, por si só, inclusão. É necessário garantir condições para comunicação, participação e desenvolvimento profissional. Wilhem acrescentou que empresas de diferentes regiões do país procuram a Uníntese em busca de intérpretes e de qualificação em Libras para seus funcionários.
A formação profissional também esteve entre os pontos centrais. Os participantes ressaltaram que saber se comunicar em Libras não significa estar habilitado para trabalhar como intérprete. A atividade exige formação específica e conhecimento do processo de tradução entre a língua oral-auditiva e a língua visual-espacial.
Na educação, When reforçou que o intérprete funciona como elo de comunicação entre professor e estudante surdo, sem substituir o trabalho docente. Franz destacou ainda que a ausência desse profissional em uma escola não deve impedir a matrícula do aluno.
A avaliação dos entrevistados é de que houve avanços, mas a inclusão efetiva depende de informação, qualificação e acessibilidade nos diferentes espaços da sociedade, indo além da simples presença da pessoa surda em escolas, empresas e instituições.
Redação do Grupo Sepé