
O candidato à presidência Augusto Cury (Avante) votou na manhã deste domingo (4) na Escola Municipal de Educação Fundamental (EMEF) Coronel José Venâncio Dias, em Colina (SP).
Antes do voto, ele disse à imprensa que considera as propostas de governo dele 'as mais robustas e inteligentes da história'.
"Todos que leram meus projetos, todos economistas, todas as pessoas, todos empresários, gestores, disseram que nunca viram um projeto tão robusto, tão inteligente, não apenas para os 4 anos, mas para os 25 anos. Talvez seja o projeto mais robusto, mais inteligente da história de um candidato à presidência".
O candidato ainda criticou a polarização atual.
"Lula da Silva, ele fala que é o pai dos pobres, mas ele governa para os ricos, porque os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. E, ao mesmo tempo, o Flávio Bolsonaro, que nunca plantou uma horta, nunca colocou o seu dinheiro como capital de risco numa empresa digna, também quer dirigir o país".
Cury falou também que, caso eleito, vai renunciar ao salário de presidente e disse que vai 'chamar os melhores' para governarem juntos.
"Vamos fazer o melhor governo dessa nação. Chamar os melhores, especialmente, já tem o chamado, vocês nem imaginam o que pode acontecer. Eu quero alguém no Ministério das Relações Exteriores, como Arminio Fraga ou Paulo Guedes. Quero alguém no Ministério da Economia, do nível do Mansueto Almeida Quero alguém para dirigir o Ministério do Planejamento, um dos mais notáveis gestores do nível de Fábio Barbosa, que é um excelente gestor, também Raul, que é o pai do simples, que está comigo e talvez eu o convide para o Ministério da Previdência ou outro ministério. Eu quero formar o maior time".
Após votar em Colina, o candidato deve seguir para Ribeirão Preto (SP), onde mora e vai acompanhar a apuração dos votos.
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (3) mostrou o candidato do Avante em terceiro, com 8% das intenções de voto, uma evolução de seis pontos desde agosto. Na Quaest divulgada na quarta (2), o escritor também apareceu na terceira colocação, com 10% (tinha 2% na rodada anterior, de 14 de agosto).
Em vídeo publicado nas redes sociais, uma das filhas do candidato, Claudia Cury, conta que, em 2010, o pai revelou à família o desejo de presidir o país, mas a ideia não foi bem recebida pelos familiares.
Entre as propostas defendidas por Cury naquele período estavam tornar profissionalizante todo o ensino médio, levar o ensino universitário à distância para municípios com mais de 10 mil habitantes e mudar a disposição das carteiras nas salas de aula para o formato de “U”.
Mais de uma década depois, parte das ideias reaparece, com outras formulações, em seu programa de governo de 2026. Cury mantém a defesa de uma maior integração do ensino médio à formação técnica e profissionalizante.
A proposta de reorganizar fisicamente as salas de aula não é mencionada no documento atual, mas deu lugar à defesa de um modelo de ensino menos expositivo, no qual o professor deve estimular perguntas, desafiar os alunos e incentivar a participação em sala.
Nascido em Colina, no interior de São Paulo, Cury é um dos seis filhos de Salomão Jorge Cury e Ana Regina Brait Cury. O pai do candidato, que morreu em 2024, foi advogado, empresário, produtor rural e vereador. Um dos irmãos do escritor, Salem Jorge Cury, tornou-se juiz federal.
O escritor se apresenta como um outsider em relação aos outros candidatos a presidente, porém, a política não é exatamente uma novidade na trajetória dele.
Na política, outsider é alguém que entra na disputa eleitoral sem trajetória consolidada em cargos públicos, partidos ou na política tradicional. Em geral, se apresenta como uma alternativa aos políticos profissionais e ao sistema estabelecido.
Além de ter crescido em uma família na qual o pai exerceu cinco mandatos como vereador em Colina, Cury se aproximou desse universo há 17 anos. Em 2009, chegou a ser filiado ao Partido Verde (PV), que cogitou lançá-lo como candidato a presidente nas eleições do ano seguinte.
Na avaliação de interlocutores de Cury, o convite do Avante foi visto pelo escritor como uma oportunidade de colocar em prática ideias que já discutia desde a primeira aproximação dele com a política.
Em entrevista à Globo, Cury afirmou que entrou na disputa para “pacificar esse país” e definiu assim seu posicionamento: “Minha mente é capitalista, meritocrática, defende um Estado enxuto, responsável fiscalmente e o empreendedorismo. Mas o meu coração é um coração social, que escuta a dor humana."
Nos bastidores, Cury tem se aproximado de nomes e articulações da centro-direita. Antes de definir sua candidatura em 2026, o escritor conversou com políticos experientes, entre eles o ex-presidente Michel Temer, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG).
A candidatura acabou abrigada pelo Avante. O partido, apesar de ter uma bancada pequena na Câmara, deu a Cury uma estrutura eleitoral que outros candidatos que tentam ocupar o espaço da chamada terceira via não têm, como acesso ao fundo eleitoral e ao horário eleitoral.
Para compor a chapa, escolheu como vice o ex-deputado federal Júlio Delgado, político mineiro com longa trajetória que chegou a disputar a presidência da Câmara. Delgado também já foi filiado ao PV.
Fonte: G1