AGRO
14/10/2026 às 21:00 por Ana Carolina Zago


RS lidera exportações de maçã em safra recorde no Brasil

RS lidera exportações de maçã em safra recorde no Brasil
Foto: ABPM/DIVULGAÇÃO/JC

O Rio Grande do Sul liderou as exportações brasileiras de maçã em 2026, com quase 80% dos embarques nacionais, em uma temporada marcada pela maior safra da história do País. A produção gaúcha cresceu cerca de 69%, passando de aproximadamente 420 mil para 710 mil toneladas, enquanto a colheita brasileira alcançou o recorde de 1,6 milhão de toneladas, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM).

De fevereiro a julho, período que concentra 99,9% das exportações brasileiras de maçã, segundo a entidade, o Estado embarcou 38,7 mil toneladas, cerca de 3,5 vezes o volume registrado no mesmo período de 2025, de aproximadamente 11 mil toneladas. No Brasil, os embarques passaram de 13 mil para 48,6 mil toneladas, movimentando US$ 49,6 milhões. Santa Catarina manteve a liderança na produção, com aproximadamente 830 mil toneladas, mas ficou atrás do Rio Grande do Sul nas vendas externas, com 9,6 mil toneladas.

Com a colheita encerrada em junho, a produção brasileira ficou quase 90% acima das 850 mil toneladas registradas no ciclo anterior. O resultado também superou em aproximadamente 23% o recorde anterior, de 1,3 milhão de toneladas, alcançado em 2017. O Paraná colheu cerca de 50 mil toneladas, enquanto São Paulo e Minas Gerais responderam pelo restante da produção.

Segundo o diretor executivo da ABPM, Moisés Lopes de Albuquerque, o resultado reflete a capacidade produtiva do setor e as condições favoráveis da temporada. “A safra 2025/26 foi a maior da nossa história, com um volume expressivo de produção e frutos de excelente qualidade. Esse resultado demonstra o potencial da cadeia brasileira da maçã, que reúne tecnologia de ponta, elevado conhecimento técnico e capacidade de produzir frutos de alta qualidade”, afirma.

Apesar da recuperação das vendas externas, os embarques ficaram abaixo da expectativa inicial da ABPM, que projetava exportações de 100 mil toneladas neste ciclo. O volume comercializado correspondeu a menos da metade do previsto, resultado atribuído pela entidade às dificuldades comerciais e logísticas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

“Tínhamos um potencial para alcançar um volume muito maior de exportação, mas o conflito no Oriente Médio limitou as vendas para aquela região, provocou uma sobreoferta em outros mercados e dificultou a logística para praticamente todos os destinos”, explica Albuquerque.

Entre fevereiro e julho, a maçã brasileira chegou a mais de 25 países. A Índia foi o principal destino, com 18,1 mil toneladas, seguida pela Arábia Saudita, com 10,1 mil toneladas. Rússia, Portugal e Irlanda também figuraram entre os principais mercados compradores.

Segundo a ABPM, a supersafra ampliou a oferta de maçãs no mercado brasileiro e contribuiu para reduzir os preços ao consumidor, embora a entidade não tenha informado a intensidade dessa queda.

Com a maior capacidade produtiva, a associação considera necessária a ampliação das exportações para absorver parte da oferta e contribuir para o equilíbrio do mercado interno. Entre as prioridades estão a abertura de novos destinos comerciais, como México e Malásia, para diversificar os compradores e reduzir a dependência dos mercados já atendidos.

Para a safra 2026/2027, a ABPM considera positivas as condições observadas até agora nos pomares, mas ressalta que ainda é cedo para fazer projeções sobre a produção.

“O inverno foi de ótima qualidade e a florada foi abundante, o que trouxe uma perspectiva positiva para a próxima safra. Ainda temos etapas importantes pela frente até o início da colheita das variedades Gala e Fuji, previsto para o começo de 2027. Estamos confiantes na perspectiva de uma safra equilibrada em volume e de excelente qualidade”, conclui Albuquerque.

Fonte: Jornal do Comércio 


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