GERAL
02/03/2020 às 14:50


EXCLUSIVO: Bruno Hesse explica o que o motivou a ser pré-candidato a prefeito

EXCLUSIVO: Bruno Hesse explica o que o motivou a ser pré-candidato a prefeito
Foto: Divulgação

As eleições de outubro em Santo Ângelo começaram em fevereiro, em pleno Carnaval. Uma nota publicada na coluna Política+, de Zero Hora, na terça-feira, 25, abalou as bases do governo municipal. A informação trazida pelo maior e mais influente jornal do Rio Grande do Sul era que o vice-prefeito Bruno Hesse teria decidido ser candidato a prefeito em outubro. Seria normal se Hesse fosse qualquer vice postulando um passo maior. Mas não! Bruno Hesse, conhecido também como o “Alemão do Hospital”, é um pedetista histórico, tesoureiro de todas as campanhas do PDT e secretário municipal da Fazenda por quatro mandatos.

Como é natural que o atual prefeito Jacques Barbosa, também do PDT, tente a reeleição, foi escancarada a disputa pelo poder no ninho trabalhista. Bruno Hesse passou a ser procurado por toda a imprensa local desde a última terça. Só se manifestou publicamente em sua página no Facebook na quinta-feira, 27, às 11h30, confirmando a informação trazida por ZH.

A Tribuna tanto insistiu que conseguiu contato com o vice-prefeito, agora assumidamente pré-candidato a prefeito de Santo Ângelo, na noite de quinta. Sem exagero, as eleições de 2020 serão lembradas, nas páginas da história, Antes e Depois desta entrevista exclusiva de Bruno Hesse.

A Tribuna: A principal coluna política de Zero Hora informou, esta semana, que o senhor decidiu ser candidato a prefeito. Isso é verdade?

Bruno Hesse: É verdade! Sou pré-candidato a prefeito de Santo Ângelo, só a prefeito. Esta é uma decisão amadurecida nos últimos meses. É uma decisão coletiva, não individual.

A Tribuna: Há exatamente quanto tempo a decisão de ser candidato a prefeito está tomada?

Bruno Hesse: Nos últimos meses, tenho sofrido o que eu chamo de uma “pressão do bem”. Muitos santo-angelenses, da cidade e do interior, muitos amigos, colegas de governo, empresários, representantes de sindicatos, trabalhadores e a minha família vinham me perguntando sobre a minha postura para a eleição deste ano. Todos, sem exceção, dizendo que chegou a minha hora, a minha vez de liderar um projeto de desenvolvimento republicano e moderno para Santo Ângelo. Resisti o quanto pude, especialmente aguardando uma definição do atual prefeito sobre a sua candidatura à reeleição, mas confesso que a “pressão do bem” tornou-se irresistível nos últimos dias.

A Tribuna: Ser prefeito de Santo Ângelo sempre foi um desejo do senhor?

Bruno Hesse: Ser prefeito de Santo Ângelo é uma honra. Acho que todo santo-angelense ou mesmo quem não é filho daqui mas vive há anos na cidade, como é o meu caso, sonha em um dia ser a autoridade máxima do município. É a maior contribuição que se pode dar à comunidade. Eu estou na vida pública desde que cheguei, há 32 anos, na cidade. Primeiro, como gerente do Banrisul por mais de 20 anos. Depois, por quatro vezes, 16 anos, como secretário municipal da Fazenda, zelando pelas contas do nosso município. Tive o privilégio de ser provedor do Hospital Santo Ângelo por três anos, de longe a função pública que me deu mais satisfação. Além de ajustarmos as contas do hospital, pudemos investir e mudar o futuro do HSA. Foi na minha gestão que viabilizamos a construção de 58 novos leitos pelo SUS, com investimento de R$ 2,3 milhões conveniados com o governo do Estado. Depois, já como vice- -prefeito, tive a oportunidade de contribuir ainda mais com a nossa comunidade, sendo, duas vezes, presidente da Fenamilho. Por isso, acredito que não pode haver hesitação em aceitar a missão de ser o prefeito da cidade. É uma missão grande demais, de uma responsabilidade gigantesca. Sinto que estou pronto para este enorme desafio. É também a minha maneira de retribuir por tudo que eu ganhei desta cidade, onde eu criei meus filhos e tive meus netos, ao longo de mais de três décadas. 

A Tribuna: Quais foram os fatos ou situações que o levaram a tomar esta decisão antes mesmo do atual prefeito decidir se irá à reeleição?

Bruno Hesse: Passei 20 dias como prefeito e em todas as visitas que fiz em diversas comunidades e bairros da cidade fui confrontado com o questionamento se eu seria candidato a prefeito. Importante dizer que estas perguntas sempre vieram acompanhadas de manifestações de apoio. Isso me fez refletir bastante sobre o assunto. Mais do que falar, sempre optei por ouvir o que as pessoas me diziam. Quando saí em férias, aproveitei para conversar com amigos e apoiadores mais próximos, além da minha família. Acabou que se construiu um consenso que eu deveria sim ser candidato a prefeito para liderar um novo projeto de desenvolvimento republicano e moderno para a Capital das Missões.

A Tribuna: Nas suas férias, o PDT fez uma série de movimentos colocando a sua posição de candidato natural a vice-prefeito em xeque. Isso afetou ou precipitou a sua decisão?

Bruno Hesse: Teve menor importância, mas, sim, como tudo que nos diz respeito, as conversas sobre alianças e a sugestão de nomes aptos a concorrer, além da indefinição do atual prefeito, foram elementos que fizeram parte das conversas do grupo político que quer ter uma nova postura política na cidade, mais condizente com os tempos atuais, onde as práticas da velha política são condenadas pela população. Esse “jogo político” antiquado, atrasado, não cabe mais.

A Tribuna: Que práticas da velha política o senhor se refere?

Bruno Hesse: Os brasileiros, os gaúchos e, finalmente, os missioneiros e santo-angelenses se cansaram dos conchavos políticos que excluem os verdadeiros interesses coletivos e públicos da sociedade. O papel de cacique, do dirigente partidário que dita regras a seu bel prazer, não tem mais vez nos dias de hoje. As pessoas querem participar de verdade das decisões que afetam o seu presente e o seu futuro. Querem ser ouvidas, não conduzidas. O rumo da nossa cidade deve ser decidido em conjunto, com oportunidades iguais a quem quer construir mudanças efetivas na vida de todos, especialmente de quem mais precisa.

A Tribuna: Muitos analistas e a própria população disseram que o senhor já deveria ser o candidato a prefeito na última eleição. Por que o senhor aceitou ser vice na última hora?

Bruno Hesse: Sempre fui um homem de partido. Fui tesoureiro e cuidei da prestação de contas de todas as campanhas feitas pelo PDT na cidade, sempre com a coordenação do saudoso ex-prefeito e sempre deputado Adroaldo Loureiro. Aceitei ser candidato a vice-prefeito por uma decisão do PDT. Tenho convicção que ajudei muito na campanha que nos levou à vitória e, depois, auxiliei e continuo auxiliando muito no governo. Na época, em diversas oportunidades, o atual prefeito disse que era contra a reeleição. A direção do PDT sempre disse que eu deveria me preparar para ser o próximo candidato. O prefeito disse várias vezes que eu seria o seu sucessor. Sempre cumpri com meus deveres e obrigações dentro do PDT de maneira irretocável. Agora, é preciso que os demais trabalhistas cumpram com o que foi combinado. 

Bruno Hesse: “Sou do tempo do fio do bigode”

A Tribuna: O que, exatamente, foi combinado?

Bruno Hesse: Vou ser direto e transparente, como sempre sou. Após a minha gestão no Hospital Santo Ângelo, boa parte do PDT e também muitos setores da nossa comunidade defendiam que eu tinha experiência suficiente para ser prefeito de Santo Ângelo. O entendimento da cúpula do partido, no entanto, foi de que o partido precisava de um candidato mais jovem. Sem falsa modéstia, ouvi incontáveis vezes dos eleitores que eu deveria ser o candidato e que votaram na chapa pura do PDT por minha causa. É só ver, hoje mesmo, os comentários nas redes sociais. Emprestei o meu conhecimento e a minha experiência para dar sustentação à candidatura trabalhista, com a promessa de que eu teria preferência na próxima eleição. Isso foi dito com a presença de várias testemunhas, antes da eleição, no dia da eleição e depois da eleição. Só estou seguindo o que foi combinado internamente. Sou do tempo do fio do bigode, onde a palavra de um homem é cumprida.

A Tribuna: Mas se o PDT não o quiser como candidato a prefeito, o senhor pode trocar de partido?

Bruno Hesse: A minha decisão, que, repito, não é solitária nem individual, é coletiva, de quem quer o bem e o crescimento de Santo Ângelo, está bastante madura e é convicta. É um caminho sem volta. Como representante de um grupo, não estou fazendo um movimento isolado. O que este grupo definiu é que eu serei candidato a prefeito, preferencialmente pelo PDT, mas, se o partido optar por outro candidato, vou buscar espaço em outra sigla.

A Tribuna: Como o senhor pretende representar a mudança se está no governo? Não seria uma continuidade da atual administração?

Bruno Hesse: Antes de mais nada, é preciso dizer que administrar uma cidade é sempre algo desafiador e complexo. Nosso governo tem muitos méritos, muitas conquistas, que precisam de continuidade. Mas, para isso, muitas vezes, é preciso fazer um ajuste, uma mudança sutil, sem radicalismos, sem trocas bruscas. Fazer gestão no setor público é diferente da iniciativa privada. Há inúmeras peculiaridades que precisam ser observadas, como a relação com os servidores públicos, por exemplo. Administrar uma cidade não é como administrar uma empresa. Acho que Santo Ângelo tem perdido com essas modificações repentinas de projetos e visões de desenvolvimento. O mais importante não é a minha candidatura ou a de qualquer outro nome. O que é de fato relevante é o projeto que será construído em favor da cidade.

A Tribuna: O que o senhor quer dizer com governo republicano e moderno? Bruno Hesse: É preciso ter um governo realmente republicano, que depois das eleições deixe as disputas partidárias de lado. Só assim teremos algo consistente e com chance de sucesso. A Tribuna: Se não for candidato pelo PDT, qual o partido da sua preferência?

Bruno Hesse: Recebi convites de pelo menos quatro partidos. Todos de um perfil mais liberal, voltando ao empreendedorismo, à iniciativa privada, ao combate à corrupção e à eficiência na administração pública. O PDT precisa seguir em frente, deixar de brigar por bandeiras do passado. O trabalhismo precisa se modernizar, ser reinventado. Quero participar desse processo interno de mudança de rumo do PDT. Se não for possível, vou seguir o que o nosso grupo achar melhor para o projeto coletivo que estamos pensando. É preciso estar ao lado da construção e não só da oposição sem propostas, sem ideias, defendendo interesses corporativos e privilégios descabidos perpetuados ao longo dos anos. Nos próximos dias, vamos dialogar com toda a sociedade. O nosso grupo também vai estar o mais distante possível de partidos ligados a malfeitos. Disso não abrimos mão.

A Tribuna: O senhor é a favor da reeleição?

Bruno Hesse: Sou contra. Acho que quatro anos é tempo suficiente para implementar melhorias significativas na vida das pessoas.

A Tribuna: O senhor teme sofrer alguma retaliação ou ser apontado como desleal ou traidor?

Bruno Hesse: Eu fui eleito pelo povo santo-angelense. Tenho um compromisso com o eleitor que me elegeu vice-prefeito. Sobre ser desleal ou traidor, minha história de vida e partidária não permite estes rótulos. Se fui escolhido pelo PDT e pela família Loureiro para assumir as funções mais importantes no partido e nos seus governos, é porque a confiança sempre foi 100% no meu trabalho, no meu caráter e na minha lealdade.

A Tribuna: Qual o diferencial que o senhor traria em uma nova administração?

Bruno Hesse: Além do que já mencionei, Santo Ângelo precisa retomar o protagonismo regional, investir fortemente na sua tradicional vocação, que é o turismo, e pensar o seu futuro através da inovação na prática, na vida real, não só na teoria.

A Tribuna: Além de não inovar, o que mais não avançou no atual governo?

Bruno Hesse: A reforma administrativa é um exemplo. Pensada para diminuir o número de secretarias e racionalizar os processos para termos mais eficiência no serviço ao cidadão, a reforma administrativa está parada há três anos. Na saúde também é possível fazer muito mais. Nossos postos de saúde fecham cedo. Inspirados em Porto Alegre, que estendeu o horário de atendimento nos postos para as 20h e às 22h, o governo federal tem o programa, o “Saúde na Hora”, que incentiva os municípios a fazerem o mesmo. Já está na hora de fazermos isso na cidade, sem comodismo, com ação efetiva.

A Tribuna: Onde mais é possível avançar?

Bruno Hesse: Temos de aproximar as universidades das empresas para gerar mais emprego e renda em novas áreas que estão surgindo. Além do turismo, nossa cidade gerou dois polos econômicos sólidos: na saúde e na educação. Uma das nossas batalhas deve ser trazer um curso de Medicina para a cidade. Isso uniria as duas vocações mais recentes da Capital das Missões – a saúde e a educação. Mais importante do que atrair novas empresas é cuidar dos empreendedores que investem hoje na cidade, criando oportunidades que contribuam para o seu crescimento. No setor primário, precisamos aumentar a nossa produção de milho. Chega de olhar pelo retrovisor. Chega de ver cidades vizinhas avançarem mais do que nós. Temos de avançar juntos. Temos de assumir o comando do nosso futuro com uma agenda estratégica de desenvolvimento.


Compartilhe essa notícia: